
Sobre esta festividade dos Espíritos Errantes, transcrevo de O Culto dos antepassados em Macau *: «Em Macau, a crença nos espíritos errantes é ainda muito forte. Atribui-se-lhes toda a espécie de males que afligem a família: doenças, acidentes, insucesso escolar, perda de emprego, mau feitio do marido ou da mulher, desprezo pela esposa e busca de amantes, abandono do lar, alcoolismo e droga Os kwai são essencialmente maléficos. Rodeiam as casas, vagueiam pelas ruas, campos, aldeias e cidades à espreita para atacar as suas vítimas. Para os manter à distância, as famílias propiciam e oferecem-lhes alimentos, roupa e dinheiro de papel. Os chineses comparam-nos aos pedintes e bandidos: é necessário oferecer-lhes alguma coisa para que se vão embora e deixem as pessoas em paz. Como são estranhos, as ofertas põem-se sempre fora de casa. É possível observar com relativa frequência, junto à porta de entrada das casas e dos prédios, tigelas e pratos com alimentos oferecidos aos kwai. Esses pratos e tigelas utilizados no ritual deixam-se três dias voltados ao contrário para proteger a família da poluição, pois tudo o que é tocado pelos kwai fica contaminado, torna-se impuro e perigoso».
A Festividade dos Espíritos Esfaimados ou Yu Lán Tchi termina no 30º dia da 7ª lua. Nesse dia, as almas errantes são obrigadas a regressar. Saciadas, por certo, com as refeições de pato, de galinha ou de leitão; satisfeitas com as oferendas de roupas, relógios, cigarros, etc. - feitas de papel e bambu - e que foram queimadas nas ruas, à porta de casa, dos cemitérios, nos templos.
* António Pedro Pires, O Culto dos antepassados em Macau. Edições Afrontamento, 1999
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