segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
«Via-se dali a ilha toda»
Leprosaria de Ká-Hó. Coloane, 2008«Quando o Sol descia no mar, o morro, ao cabo da ilha, era um archote flamejante. Parecia que o mundo ia acabar ali, ou talvez começar, que novas formas, ou o nada, surgiriam, definitivas, da massa ígnea dos elementos - terra argilosa, céu e água ardendo ao sopro do Espírito - e que o tempo que havia de suceder-se seria o dia perfeito da natureza depurada.
A-Mou, que tinha na face rosetas de lepra, todos os dias saía a admirar o espectáculo do entardecer, trémula de inquietação e de esperança.
Era a hora em que as outras doentes se acolhiam ao canto dos catres, ou porque o Sol, espelhando-se no mar, lhes feria os olhos infeccionados, ou apenas por inexplicáveis, secretas superstições.
A-Mou era jovem, e a doença, ainda no princípio, não lhe causava sofrimento. Verdadeiramente, só tinha as rosetas. O médico prometera-lhe cura. Ela gostava de viver, de se aformosear com cabaias garridas, flores no cabelo, laca nas unhas.
Pelo fim da tarde, levando ao colo o seu favorito - um porquinho-da-índia que lhe dormia aos pés da cama como um gato -, A-Mou subia até ao mais alto do morro, sonhando com um amanhã novo, diferente, melhor.
Via-se dali a ilha toda: os talhões pantanosos de arroz fulgindo aos últimos raios de sol, nos vales; os arbustos de chá e de inhame em socalcos pelas encostas; as pedras negras e amarelas por entre as matas sempre verdes de abetos. E ver a ilha era, de certo modo, contemplar o mundo, vislumbrar a vida para além da leprosaria (...)».
Maria Ondina Braga. «Os Lázaros», A China fica ao lado. Bertrand, Unibolso.
A-Mou, que tinha na face rosetas de lepra, todos os dias saía a admirar o espectáculo do entardecer, trémula de inquietação e de esperança.
Era a hora em que as outras doentes se acolhiam ao canto dos catres, ou porque o Sol, espelhando-se no mar, lhes feria os olhos infeccionados, ou apenas por inexplicáveis, secretas superstições.
A-Mou era jovem, e a doença, ainda no princípio, não lhe causava sofrimento. Verdadeiramente, só tinha as rosetas. O médico prometera-lhe cura. Ela gostava de viver, de se aformosear com cabaias garridas, flores no cabelo, laca nas unhas.
Pelo fim da tarde, levando ao colo o seu favorito - um porquinho-da-índia que lhe dormia aos pés da cama como um gato -, A-Mou subia até ao mais alto do morro, sonhando com um amanhã novo, diferente, melhor.
Via-se dali a ilha toda: os talhões pantanosos de arroz fulgindo aos últimos raios de sol, nos vales; os arbustos de chá e de inhame em socalcos pelas encostas; as pedras negras e amarelas por entre as matas sempre verdes de abetos. E ver a ilha era, de certo modo, contemplar o mundo, vislumbrar a vida para além da leprosaria (...)».
Maria Ondina Braga. «Os Lázaros», A China fica ao lado. Bertrand, Unibolso.
Igreja de Nossa Senhora das Dores
Dedicada a Nossa Senhora das Dores, esta pequena igreja foi construída em 1966 e contou com a colaboração de dois escultores italianos, Franscisco Messima e Oseo Acconci.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Cozinha Ambulante
Escreveu o Padre Teixeira (na sua Toponímia de Macau): «Deu-se-lhe este nome [à rua da Palha] devido à palha que lá se vendia, o que foi proibido em 1828, como se vê do seguinte:
"(...) Eu Mandarim Cso-Tam, faço saber, por este, a todos os Chinas, que tendo por noticia, que na rua, q. vai para Sm. Paulo atraz de S. Domingos, se está vendendo palha, impedindo-se desta maneira o caminho com o perigo de fogo, deve-se por isso prohibir; por tanto mandei publicar este Edital, para q. todos os vendedores de palha saibão, e obedeção, e não vendão mais palha na ditta rua, com communicação de serem agarrados, e castigados (...)"».
"(...) Eu Mandarim Cso-Tam, faço saber, por este, a todos os Chinas, que tendo por noticia, que na rua, q. vai para Sm. Paulo atraz de S. Domingos, se está vendendo palha, impedindo-se desta maneira o caminho com o perigo de fogo, deve-se por isso prohibir; por tanto mandei publicar este Edital, para q. todos os vendedores de palha saibão, e obedeção, e não vendão mais palha na ditta rua, com communicação de serem agarrados, e castigados (...)"».
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Povoação de Hac Sá

Represa na povoação de Hac Sá e templo de Tai Wong. Coloane, 2007O pequeníssimo templo da povoação de Hac Sá, com apenas uma câmara, é dedicado a Hung Seng, deus protector dos residentes.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Grades e estendal de roupa na Travessa do Patane
A Travessa do Patane, que em chinês se designa por Sá Lei T'au Hong, ou seja, Travessa das Peras, liga a Travessa da Palanchita à Calçada das Sortes, junto à Escada do Papel.
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Travessa da Palanchica
Por Palanchica era designado um pequeno baluarte ou fortificação que existiu no cimo da colina do Patane. Citando Marim Chaves, em O Renascimento do Município Macaense, escreve o Padre Teixeira na sua Toponímia de Macau:
«Perto da ermida (de S. António) construiu-se uma tranqueira, pequena fortificação levantada para o que desse e viesse e equipada com algumas peças com que as naus do Japão a dotaram. Este baluarte foi por muito tempo conhecido pelo qualificativo de Palanchica, da qual é descendente a actual travessa da Palanchica que liga hoje a praça Luís de Camões, por um lado, com a rua dos Colonos, indo esta terminar no Tarrafeiro, e por outro lado, e nas alturas da escada do Papel, com a travessa do Patane, à qual se seguem a calçada das sortes, rua da Palmeira e largo do Pagode».
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
O Caminho das Hortas
É uma estreita estrada - o Caminho das Hortas - ladeada, ora de frondosas árvores do coral (Erythrina variegata), ora de pequenas habitações das povoações Cheoc Ka e de Sam Ka. O pequeno templo de Cheoc Ka, dedicado a Kuan Tai, deus da guerra, da lealdade e da bravura, é composto apenas por dois pavilhões, um com a imagem do deus guerreiro, o outro com a deusa Tin Hau, a Soberana dos Céus. O deus deste pequeno templo, fundado e construído entre 1662 e 1723 pelas primeiras famílias que se fixaram nesta zona da Taipa - as famílias Lam e Cheok -, protegia os habitantes dos ataques dos piratas.
Restos de um mundo rural, um pequeno oásis rodeado por torres de betão, na ilha da Taipa.
Restos de um mundo rural, um pequeno oásis rodeado por torres de betão, na ilha da Taipa.
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domingo, 16 de dezembro de 2007
Dístico comercial
Há os erros de ortografia, as gralhas, as traduções para o português que, muitas vezes, resultam com imensa graça.São as casas de «pasdo», as lojas de quinquilharia, umas de «quiquilapia», outras de «quinouilharia»; são os «antiguários» e as lojas de «antiquidades», são as que vendem «lavaporios», as «alfaiaparias» ou as de «vesidos de noiva»; são as lojas de «chã de medicional» e os estabelecimentos de comidas saudáveis. Designam-se por «esabelecimento», «estabelerimento», «esta belecimento», ou algo semelhante e, alguns, apesar da mudança do ramo de actividade, mantém designações antigas, como uma pequena loja de vassouras que vende louças. Outros há cuja designação regista, exactamente «Dístico comercial do estabelecimento e localização»...

A «Sociedade Malandro Limitada» (na Rua dos Mercadores), uma farmácia «chivesa», as associações de «conterràneos» (como a de Man Sai, nos três candeeiros), um centro de beleza de «auto tecnologia» (na Estrada de Coelho de Amaral) ou uma associação de «carne de porco» («Associação de Carne de Porco "Ion Hap Tông», na Praia Grande), são alguns exemplos deste universo muito peculiar.
sábado, 15 de dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Rua do Campo
Rua do Campo. Macau, 2007A Rua do Campo, a que os chineses chamam Sôi Hang Mêi, isto é, Extremo do Regato, começa no local onde se cruzam a Avenida da Praia Grande e as ruas Formosa e de Santa Clara e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, junto da Calçada do Poço.
O topónimo «Rua do Campo» refere-se a um «campo» que se estendia a oriente da cidade, já fora das muralhas. Essas muralhas iam da Guia à Fortaleza do Monte e ao Patane e possuíam duas portas, a de Santo António e a do Campo. A designação chinesa da rua, Sôi Hang Mêi - Extremo do Regato - evoca, na convicção de Gonzaga Gomes, «porventura, o facto de ter havido noutros tempos algum fio de água que vertia pela encosta do Monte abaixo» (in Lendas Chinesas de Macau).
O topónimo «Rua do Campo» refere-se a um «campo» que se estendia a oriente da cidade, já fora das muralhas. Essas muralhas iam da Guia à Fortaleza do Monte e ao Patane e possuíam duas portas, a de Santo António e a do Campo. A designação chinesa da rua, Sôi Hang Mêi - Extremo do Regato - evoca, na convicção de Gonzaga Gomes, «porventura, o facto de ter havido noutros tempos algum fio de água que vertia pela encosta do Monte abaixo» (in Lendas Chinesas de Macau).
Lua Cativa na Fonte

Lua Cativa na Fonte
Lendas esgueiram-se da memória
Antes que te encontre no meu sonho
Por fim vejo-te, grácil, caminhando
Pelos bosques eternamente verdes
Como a difusa neblina alastra
Na orla da tua saia dançam alces
Teu claro olhar é tão profundo
Que alberga o meu céu inteiro
Poemas de Gao Ge (traduzido para o português por Fernanda Dias, com o apoio da estudiosa em literatura chinesa Stella Yee)
Excerto do prefácio de Stella Lee Shuk Yee: «(...) Fernanda comentou ter sido tocada pela emoção com que eu lhe li os poemas em mandarim, e pelo entusiasmo com que os comentei em seguida. Para cada carácter chinês impunha-se encontrar o sentido mais aproximado, muitas vezes recorrendo às três línguas em que podemos comunicar. A cada verso era preciso fazer corresponder uma imagem, uma figura que Fernanda Dias pudesse "pintar" na sua língua (...)»
sábado, 8 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Travessa das Janelas Verdes
Liga a Rua dos Ervanários à Rua das Estalagens e ao Beco da Pinga. Designa-se, em chinês, tal como a rua das Estalagens, por travessa e rua «da massa ou do montão de palha», designação esta que o Padre Teixeira explica: «(...) ali devia ter existido palha ou talvez estábulos de cavalos, pois ali perto existe a Rua da Palha. Por conseguinte, essas vias deveriam chamar-se não das estalagens, mas dos estábulos».
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Beco dos Faitiões
Os becos, em Macau, possuem esta particularidade: são becos com saída. Este, dos Faitiões, começa por um estreito túnel que parte da Rua da Tercena e termina na Rua de Santo António. O Padre Teixeira, na sua Toponímia de Macau, explica a origem do vocábulo faitião. Vem do chinês e significa «barco ligeiro» (fai=veloz; teang=barco). O nome foi atribuído a uma rua, a uma travessa e ao beco «para comemorar a revolta dos marítimos chineses, a 8 de Outubro de 1846, contra o governador Ferreira do Amaral, por este ter imposto uma taxa sobre os seus barcos».
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
No Largo do Pagode do Bazar
Transportam as crianças às costas, escarranchadas e seguras por um pano quadrado, estampado ou bordado, que se prende com fitas atadas à cintura.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Igreja de S. Domingos
«Fundada em 1587 por três padres dominicanos espanhóis vindos de Acapulco, no México, esta igreja está ligada à Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Aqui foi publicado o primeiro jornal português em solo chinês, "A Abelha da China", em 12 de Setembro de 1822. A torre sineira, na parte posterior do edifício, foi modificada para permitir a instalação de um pequeno Museu de Arte Sacra, que conta com um espólio de cerca de 300 peças». in «RC- Revista de Cultura», nº 15 de Julho de 2005
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Rua dos Mercadores
Rua dos Mercadores. Macau, Outubro de 2007«As ruas transversais [à Almeida Ribeiro] estão cheias de lojas chinas, tecidos chinos, farmácias, quinquilharias, lantejoulas, herbanários, restaurantes, casas de jogos e de amor venal, sempre com a mesma congestão de linhas exóticas nas decorações das fachadas, nas suas lacas, nos seus lanternins e nesta pobre multidão indígena, de braços nus e chapéu cónico na cabeça, que circula por toda a parte». Ferreira de Castro. A Volta ao Mundo (1944), in Carlos Pinto Santos e Orlando Neves. De Longe à China. Macau na Historiografia e na Literatura Portuguesas. tomo 3. ICM, 1996
sábado, 17 de novembro de 2007
«Ali ardem lumes misteriosos (...)»
«Cena doméstica. Lá está o meu cozinheiro a bater cabeça, como se diz neste Macau; lá está ele rezando aos seus deuses protectores (...)Os altares aos deuses anicham-se pelas paredes, aos cantos do sobrado, sobre as mesas; e até junto ao fogão, onde se guisa o meu jantar, se presta culto a supinas divindades. Misteriosos ritos. São papéis encarnados, contendo cabalísticos dizeres; são figuras de horríveis monstros, coloridas pelas tintas mais surpreendentes, nas disposições mais grotescas, despertando quase o riso, despertando quase o medo, a quem não vive em graça em tal Olimpo. Ali o cozinheiro, em humildes genuflexões de crente, vem depor as suas ofertas, as minhas ofertas, pois sou eu que pago a festa, - ofertas de laranjas, de doces, de chá, de porco assado e de outras iguarias. Ali ardem lumes misteriosos; e frequentemente, pela noite, como agora, se queimam pivetes, círios rubros, resinas e papéis, de tudo emanando um fumo atroz, que invade em torvelinho a casa toda, que chega sem respeito ao sítio onde me encontro, e me sufoca. Paciência! (...)»
Wenceslau de Moraes. «Pau-Man-Chen». Paisagens da China e do Japão. 1906
Wenceslau de Moraes. «Pau-Man-Chen». Paisagens da China e do Japão. 1906
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Cozinha Ambulante
Cozinha ambulante, na Rua de Tomé Pires, onde se vende o pato lacado, a febra ou entremeada de porco assada, a galinha escaldada. Simples ou com molho e cebolinho.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
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