segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pedra esculpida com o escudo e a coroa real na Rampa dos Cavaleiros

Pedra com o escudo português e coroa real, tendo por baixo a data de 1847, num pátio à margem da Rampa do Cavaleiros


"(...) 
Este toponímico (Rampa dos Cavaleiros), hoje dentro do Campo Desportivo de Mong-Há, recorda-nos o tempo em que os mandarins davam ordens em Macau, domínio esse que acabou no Governo de João Maria Ferreira do Amaral (1846-1849).
Uma dessas ordens referia-se precisamente aos cavaleiros, que deram origem ao nome da rampa, segundo regista Marques Pereira nas suas Efemérides: "8 de Março de 1828 - Ofício do mandarim de Heong-Sán ao procurador da cidade de Macau, intimando-lhe que proibisse aos residentes ingleses renovarem à sua custa, como intentavam, a estrada do Campo de Mong-Há; e passearem nela a cavalo, pois com tais consertos e passeios afrontavam as sepulturas dos chinas e as barracas dos pescadores".
(...)
A 28 de Abril de 1829, publicou um edital dizendo que, tendo ido a Macau, "vira os Estrangeiros fazerem carreiras de cavallos na Praia da Porta do Cerco, lugar onde costuma passar gente, q. vai e vem; e receando-se, por isso, que acontecesse algum desastre a algum viandante de que redundassem desordens entre os Europeus, e Chinas; pelo Lingoa tinha advertido ao Procurador para a mandar prohibir. Porém lhe consta que os Estrangeiros tornarão a fazer carreiras, o que na verdade não hé coisa boa. Portanto, pondo em esquecimento o passado, manda elle Mandarim publicar este Edital para que os Estrangeiros saibão e daqui por diante obedeção os Estatutos do Império, e não tornem a fazer carreiras de cavallos na praia da Porta do Cerco  (...)"
(...)
Este edital ficou letra morta e as corridas continuaram. Harriet Low, que tanto gostava de assistir, informa no seu Diário que elas se realizavam em Hác-Sá (Areia Preta), junto das Portas do Cerco (...)
(...)
Ferreira do Amaral mandou remover as sepulturas desse Campo, colocando ali o escudo das Quinas e a data de 1847. 
Dois anos depois, a sua cabeça era decepada precisamente por ter mexido nessas sepulturas". 
P. Manuel Teixeira. A Voz das Pedras de Macau. Macau, Imprensa Nacional, 1980

1 comentário:

Pedro disse...

Antes de mais, muitos parabéns pela qualidade do blog e pelo interesse das matérias abordadas.

Em relação a esta pedra da Rampa dos Cavaleiros, pedia a sua ajuda para me indicar a localização precisa da mesma. Isto porque em dezembro de 2016 não a consegui encontrar, apesar de ter percorrido cuidadosamente a rampa dos cavaleiros.

Muito obrigado pela ajuda.

Pedro Pinto