sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Festividade do Ano Novo Lunar (I)

As três divindades da Felicidade, da Prosperidade e da Longevidade.
in Xilogravuras do Ano Novo Lunar.


«(...) De todas [as festividades chinesas], a mais prolongada, ruidosas e aparatosa e, portanto, aquela que se festeja com o mais fervoroso entusiasmo é a da Sân Nin (Ano Novo), para a qual valem a pena todos os sacrifícios que se fizeram durante o ano, com o fim de economizar aquilo que irá ser despendido, generosamente, nos três dias de tão grande solenidade, em que, a não ser os indigentes, todos terão de calçar um par de calçados novos, exibir a sua cabaia de luzente seda, ter em casa o imprescindível para a celebração do tríplice culto, bem como os mimos necessários para os permutar com as pessoas das suas relações, como manda a inflexível praxe.
Em chinês, o dia do Ano Novo é, vulgarmente, designado por nin tch'ó iât (o primeiro dia do ano), dia este que se denomina porém, com mais rigorosa propriedade un tán (primeira alvorada), ou un iat (primeiro dia), ou ainda lei tun (princípio de acção), designação esta extraída da frase léi tun u tch'i, de um passo do Tchó Tchun, um dos treze clássicos chineses, e que significa "princípio com rectidão"
(...)
A entrada do astro-rei no Aquário é saudado, na manhã da data do início de láp tch'án (começo da Primavera) com um contínuo estralejar de panchões (estalos da Índia), logo após a cerimónia de aposição, no meio do dintel das principais portas da casa, dum rectângulo de papel auspiciosamente encarnado e salpicado a ouro, o hông mun tch'in (frente da porta vermelha), bem como da colocação na parede, junto da porta principal, doutro rectângulo de papel encarnado, pincelado com os seguintes caracteres t'in kun tch'i fôk (que o Senhor do Céu nos conceda a felicidade), e ainda de mais uma folha também de papel encarnado, no pé da porta da entrada principal da habitação, onde figuram os seguintes caracteres invocativos mun hâu t'ou tei tchip uáng tch'ói sân (que os deuses locais da porta acolham os espíritos indirectos da sorte), cerimónia esta, que é acompanhada de libações e ofertas de pitéus aos espíritos invisíveis e que termina com a colocação de vários pivetes acesos e a queima de vários pacotes de panchões. (...)».
Luís Gonzaga Gomes. «A Festividade do Ano Novo», in Macau Factos e Lendas. Instituto Cultural de Macau. 1994

1 comentário:

Kele disse...
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