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terça-feira, 9 de setembro de 2014

A Festa da Lua no Macau do século XVII

"Aproximava-se o mês de Outubro e com ele a festa da nona Lua, denominada "lua do crisântemo". De acordo com a tradição, as casas enfeitavam-se de balões vermelhos e as ruas de estandartes, cartazes e luminárias à noite. Foi a primeira festa na cidade realizada após o regresso de D. Catarina, que com saudosa satisfação revia aqueles enfeites alusivos ao acontecimento, distribuídos por toda a parte e com maior profusão no Bazar chinês, no largo do Senado, no largo de S. Domingos e em frente à Sé. Durante três a cinco dias, jovens e adultos compravam bolos da lua para oferecer aos amigos, cumprindo um voto tradicional de amizade entre os moradores, com base numa história em que o exemplo da cooperação e boa vizinhança salvara Macau de ser tomada pelos inimigos. Admirada de ver as ruas todas engalanadas, Ana Maria exclamou:
-- Grande festa bonita! É também para mim, nhónha mãe?
-- É sim, minha pequerrucha. É para toda a gente. Todos os anos, quando chega a nona Lua, a cidade inteira faz esta festa.
-- É festa de casamento?
-- Não! É para lembrar uma história antiga que salvou a cidade de ser atacada por homens maus.
-- Conta essa história...
-- Dizem que certa vez, um boca de rua* achou maneira de enviar a todos os vizinhos uma mensagem, metendo um papel escrito dentro de cada bolo, que distribuiu de porta em porta. No bilhete pedia a todos os homens que se reunissem com as suas armas, à mesma hora e no lugar marcado para defesa da cidade, que estava prestes a ser atacada por um malfeitor.
-- E os homens foram lá, a esse lugar?
-- Foram, e não deixaram o pirata fazer mal aos moradores.
-- O pirata veio de noite?
-- Não sei minha filha. Porque perguntas isso?
-- Ah! Porque tem muitos balões com luminárias. Como é que não se queimam?
(...)"
Maria Helena S.R. do Carmo. Uma Aristocrata Portuguesa no Macau do Século XVII. Nónha Catarina de Noronha. Inquérito e Fundação Jorge Álvares, 2006

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* Porta voz dos moradores de uma rua ou bairro


NOTA: Existem diversas lendas associadas à festa da lua e, em particular, no que respeita à lenda do bolo lunar ou "bolo bate-pau" são conhecidas várias versões, como por exemplo esta narrada por Luís Gonzaga Gomes.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Praia Grande e Fortim de S. Pedro.
George Chinnery (1825-1852)


O Fortim de S. Pedro - ou Naunhuan - "era considerado como um complemento da fortaleza de S. Francisco, juntamente com o forte de Nossa Senhora do Bom Parto"(1) . Ficava situado em frente do antigo palácio do governo, onde actualmente se encontra o antigo edifício das Repartições (antigo Tribunal), "mais ou menos onde se ergue hoje a estátua de Jorge Álvares"(2). Construído em 1622, foi quase destruído por completo pelo tufão de Setembro de 1874. Foi demolido em 1934, quando foi aterrado este trecho da Praia Grande.


(1) Pedro Dias. A Urbanização e a Arquitectura dos Portugueses em Macau. 1557-1811. Edição Portugal Telecom, Lisboa, 2005.
(2) P. Manuel Teixeira. Toponímia de Macau. Volume I. Instituto Cultural de Macau, 1997