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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Altar dedicado a Tou Tei

Pormenor do chi tei ou altar exterior  dedicado a Tou Tei , que se encontra à entrada do templo de Kun Iam na vila de Coloane. 
Tou Tei é o espírito protector dos lugares, o deus da rua, do bairro ou da povoação e encontra-se nas ruas, à entrada das casas e dos templos, em pequenos nichos ou em altares - chi tei - com a estátua do Tou Tei ou, por vezes, uma simples pedra simbolizando o deus.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Espírito Protector da Cidade

Kun Iam Ku Miu ou Kun Iam Chai (Pequeno templo da Deusa Kun Iam).
Macau, Agosto de 2009


"A pequena capela de Seng Wong foi construída num terreno da Família Sam, originária de Fok Kin, uma das famílias fundadoras daquela aldeia, que a história sempre deixou apagada.  Porém, foi nesse pequeno aldeamento que se desenrolaram factos da maior relevância e se urdiram várias conspirações, que o seu isolamento favorecia.
Não se procure, porém, Seng Wong, o Espírito Protector da Cidade de Macau, no templo de Kun Iam anexo à Bonzaria, um dos cartazes turísticos locais. Procure-se, sim, mais adiante, na capela anexa ao Kun Iam Ku Miu, o mais antigo dos templos chineses daquela velha aldeia, segundo consta dos velhos chôk pou das famílias de alguns dos seus fundadores. O Kun Iam Ku Miu, conhecido também por Kun Iam Chai, pela sua modéstia em relação ao Kun Iam Tong, foi erigido antes da chegada dos portugueses, segundo é tradição popular, sobre três tijolos que abrigaram primeiro uma imagem de Pou Sat toda Misericordiosa, a que ouve todas as preces - Kun Iam, a Nossa Senhora dos chineses budistas. Esta imagem foi encontrada a boiar nas águas do rio nos fins da dinastia Song ou nos fins da dinastia Un por crianças que guardavam cabras, perto do local onde hoje se ergue o Lin Fong Miu. A lenda, que a tradição oral e os chôk pou fizeram perdurar, assim o conta.
E Seng Wong? Sen Wong foi entronizado mais tarde. Segundo alguns informadores, a sua capela apenas foi construída nos fins do século XVIII, quando Macau, reconhecida cidade pelas entidades chinesas, passou a ter um mandarim que se instalou em Mong Há, embora sejam muito mais recentes as lápidas com os nomes dos beneméritos que promoveram a sua beneficiação, se não reconstrução, na segunda metade do século XIX.
Nessa altura, como era habitual em todas as cidades chinesas, a estátua de Seng Wong tornou-se indispensável à harmonia, ao bem estar e... à consciência dos magistrados locais.
Seng Wong não é uma divindade como Kun Iam ou como Kuan Tong, por exemplo. Seng Wong, tal como Tou Tei - o guardião tutelar do solo, de cada localidade, de cada sítio -, é uma entidade abstracta e plural. Cada cidade tem o seu espírito protector, só dela, a quem, dantes, todos os anos, se prestava homenagem, com mais ou menos luzida procissão, acompanhada de ruidoso estralejar de panchões.
O nome desta entidade tutelar significa, aliás, literalmente, Rei da cidade muralhada, sendo o muro ou o fosso os limites impostos às grandes cidades chinesas para sua defesa contra as frequentes incursões de exércitos inimigos ou simplesmente de piratas.
O Imperador de Jade, entidade criada pelo tauísmo popular e equivalente ao Soberano Celestial da velha teologia da China Arcaica, que se perde na aurora da sua civilização, teria criado magistrados seus para protegerem as diferentes cidades, servindo como juízes imparciais dos seus moradores." 
Capela de Seng Wong no Kun Iam Chai (Agosto de 2009)
(...)
"Em meados do século XX havia, ainda, na pequena capela de Seng Wong, um belíssimo ábaco em pau-preto, que é um dos emblemas das capelas que são dedicadas a esta divindade, pois pertence à imaginação popular a crença de que é com este instrumento que o magistrado celeste contabiliza as boas e más acções dos moradores seus súbditos."
Capela de Seng Wong no Kun Iam Chai (Agosto de 2009)
(...)
"Com a retirada do Mandarim de Macau, em meados do século XIX, e com o passar do tempo, o papel de Seng Wong como magistrado celeste foi-se apagando e já nos anos 60-70 era, apenas, uma divindade como tantas outras com que os tauistas povoaram os templos da cidade e a quem os devotos budistas iam  pedir principalmente paz, saúde, riqueza e êxito no negócio.
A capela estava, naquela altura, relativamente abandonada e Seng Wong bastante esquecido. No entanto, havia sempre alguém que ia pedir-lhe justiça e acender pivetes em sua honra, quando acabava por perder a crença na integridade dos juízes terrenos. E Seng Wong parecia sorrir ironicamente do alto do seu nicho de talha, onde o ouro perdera já o brilho, como bom conhecedor dos homens e... da cidade."
Ana Maria Amaro. "O Espírito Protector da Cidade". Revista MacaU, nº 16 de Agosto de 1993

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Long Mou, a Mãe do Dragão

Long Mou, a Mãe Dragão (à esquerda) e Choi Pak, o deus da prosperidade e riqueza, no  Fôk Tak Chi ou Tou Tei Miu (Templo da Felicidade e da Virtude), na Rua da Barca de Lenha.


Long Mou, a Mãe Dragão, a deusa que todos ouve e todas as preces concede, excepto os pedidos de riqueza. A seu lado, Choi Pak, o deus da prosperidade e distribuidor da riqueza. Prosperidade e Riqueza. A este propósito, comenta o Padre Teixeira*: "Quem dirá que os chineses não são espertos? Estes dois deuses completam-se um ao outro (...)".

A deusa Long Mou ou Mãe do Dragão, adorada pelos pescadores e padroeira do Rio das Pérolas, ganhava a vida a pescar no rio da sua terra natal, Yuet Shing. Um dia encontrou um grande ovo, que decidiu chocar. Nasceu um dragão, e Lou Mou foi chamada à corte imperial para relatar o acontecimento. Mas, a viagem era longa e cansativa e Long Mou saudosa da sua terra resolveu regressar. Surge-lhe, então, o seu dragão alado que a transportou no seu dorso até à corte.

O templo que acolhe a Mãe Dragão fica situado na Rua da Barca da Lenha. Dedicado a Tou Tei, o Deus da Terra, é constituído apenas por uma pequena capela, com um mesa sobre a qual se encontram os perfumadores de pedra e as jarras de flores. 


* Padre Manuel Teixeira. Pagodes de Macau, 1982.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Tou Tei, o Deus da Terra

Pequeno altar dedicado a Tou Tei, o Deus da Terra, situado ao nível do solo, no passeio. Macau, Rua de S. Paulo. Julho de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

Kun Iam, a Deusa da Misericórdia

A deusa Kun Iam e outras divindades no Fok Tak Chi, na Travessa da Porta. Macau, 2010


Guanyin - ou Goon Yam ou Kun Iam -, divindade importada, tal como o Budismo, do Norte da Índia, cerca de 500 anos a.C., é uma bodhisattva (Avalokitesvara), que possuía, originalmente, a forma masculina, assumindo depois a feminina. Divinizada pelo “imperador de Jade”, Kun Iam, a deusa da Compaixão e da Misericórdia, dispõe de poderes de omnipresença e assume, sempre que disso necessite, a forma que quiser, ora nova, ora velha, para melhor poder ajudar os seus crentes. É também representada com mil braços e mil olhos, “que a todos acolhe e que tudo vê”. E, em Macau, é frequentemente designada por “Nossa Senhora dos chineses budistas”.
A sua imagem é uma presença constante em altares domésticos ou mesmo na rua, em pequenos altares ou simples oratórios. Surge muitas vezes representada com uma flor de lótus ou com uma jarra de jade e um ramo de salgueiro numa das mãos. Noutras, acompanhada por uma criança, Shan Ying, personagem de uma das suas lendas.
De acordo com uma das lendas, questionando os deuses sobre a razão do sofrimento dos mortais e do que poderia fazer para os acudir, recebeu de Buda uma mensagem para ir até ao cume do Monte Sumeru, procurar uma flor de lótus branca e uma jarra de jade, pois com elas tornar-se-ia uma bodhisattva e concretizaria o seu desejo de ajudar os outros. Ao chegar ao cume do monte, Buda voltou a aparecer-lhe e entregou-lhe a flor de lótus e a jarra, recomendando-lhe que as colocasse no seu altar e que meditasse até ao dia em que da jarra brotasse um ramo de salgueiro. Nesse dia, tornar-se-ia bodhisatta e ascenderia ao céu. Mas, passaram-se alguns anos, e por muito que meditasse a jarra continuava vazia. Um dia, porém Shan Ying, uma criança traquinas, resolveu pregar-lhe uma partida, enchendo a jarra de água e colocando-lhe um ramo de salgueiro. Entretanto, a jovem sonhava que um rapaz que não conseguia reconhecer, viera ajudá-la a tornar-se bodhisatta. Recolheu-se, então, a meditar junto à flor de lótus, segurando a jarra com o ramo de salgueiro. Pouco depois, começou a levitar e sentada na flor, que entretanto aumentara de tamanho, agradeceu à criança e ascendeu ao Céu, nesse dia, o 19º da 6ª lua.

Fontes:
Cecília Jorge. Deuses e Divindades . Gods and Deities. Direcção dos Serviços de Correios, 2005

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Altar na rua do Templo de Lin Fong

Kuan Tai, o Deus Guerreiro junto a um pequeno templo na Rua do Templo de Lin Fong. Macau, 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

Lugar da felicidade que permanece para sempre

O Fok Tak Chi na Rua do Almirante Sérgio, em Macau

Segundo o Padre Teixeira*, o templo possui três nomes: Fok Tak Chi ou pagode da Felicidade e da Virtude, Tou Tei Miu ou pagode dos Deuses Locais e Fok Tei Cheong Yeng, ou seja, Lugar da Felicidade que permanece para sempre...
No altar central encontra-se Tou Tei, de longas barbas e sorriso amável, e na mesa junto ao altar várias divindades, entre elas Kun Iam, a Deusa da Misericórdia, e Kuan Tai, o Deus da Guerra.
Fica situado na Rua do Almirante Sérgio, muito perto do santuário da Deusa A-Má.

*P. Manuel Teixeira. Pagodes de Macau. DSEC, >Macau, 1982

quinta-feira, 18 de março de 2010

As festas de Tou Tei

Fok Tak Chi ou Templo da Felicidade e da Virtude, na Rua do Almirante Sérgio

Altar no Beco dos Óculos

Tou Tei Miu, no Patane

Altar na Estrada Coelho do Amaral

Ontem, 2º dia do 2º mês lunar, foi dia de festa de Tou Tei e por toda a cidade, nos templos e altares a ele dedicados, realizaram-se as festividades em sua honra.
Tou Tei, o Deus da Terra, do Local ou do Bairro é a divindade protectora dos lugares a quem os devotos pedem felicidade e saúde para toda a família. Protector do lugar e das pessoas que nele habitam, Tou Tei tem ainda a função de conduzir as almas dos defuntos até ao inferno depois de estas terem sido julgadas pelas suas acções praticadas durante a vida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tou Tei, o Deus da Terra

Tou Tei
Templo de Tou Tei, no Patane (Rua da Palmeira)

«Na China Imperial - e em Macau ainda hoje acontece -altares e nichos para os espíritos ou divindades protectoras havia-os por todo o lado. Em todos os povoados, fosse nos templos ou nos edifícios públicos, existia pelo menos um ou mais altares do Tou Tei, vulgarmente denominado "deus da terra", mas cuja designação é formada por dois caracteres que significam ambos "Terra". Os altares ficam habitualmente ao nível do solo, sempre que isso é possível, e encostado à chamada "parede espiritual" a que acolhe o portão das mansões ou residências senhoriais, e hoje, a porta dos edifícios e apartamentos (...)»
Cecília Jorge. Deuses e Divindades. Gods and Deities. Direcção dos Serviços de Correios. Macau Post. 2005

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Kuan Tai, o Deus-Guerreiro

No Templo do Bazar ou Hong Kung Miu

«É uma figura lendária divinizada. (...)
Este deus-guerreiro é um dos mais poderosos e respeitados do panteão chinês e deve a sua posição ao facto de personificar ao mais alto grau todas as virtudes de um guerreiro e cavaleiro. Exímio no manejo de armas, bravo e íntegro. Identifica-o a cara pintada de vermelho, a cor atribuída às personagens honestas e corajosas. Era um dos grandes generais do período dos "Três Reinos" (Século III), e foi uma das personagens que inspirou o clássico "Romance dos Três Reinos".
Kuan Tai terá sido a mais popular divindade do final da era imperial chinesa, porque era venerado e recebia sacrifícios e oferendas quer de altos funcionários da corte, quer do povo. O título de Ti ou Tai (em cantonense, equiparado a Imperador), foi-lhe conferido em finais da dinastia Ming, altura em que ascendeu a uma posição equiparada à de Confúcio no panteão chinês.
Para além do estatuto oficial de "lealdade personificada", o deus guerreiro é igualmente propiciado como divindade protectora do Comércio e Deus da Riqueza (divindade "militar", já que existe um Deus da Riqueza "civil"(...)».
Cecília Jorge. Deuses e Divindades. Gods and Deities. Direcção dos Serviços de Correios. Macau Post. 2005

Os Tai Sôi, deuses protectores dos anos

No Lin Kai Miu. Macau, Junho de 2009

Os Tai Sôi são divindades protectoras dos anos de vida e cada Tai Sôi protege um ano de idade. Estes contam-se de um a sessenta. "Cada período de 60 anos corresponde ao ciclo sexagenário do calendário chinês e cada T'ai Sôi vigia um determinado ano; ao completar os 60 atinge a vida plena e volta» (P. Manuel Teixeira. Pagodes de Macau)
No Ano Novo Lunar, os devotos prestam culto à divindade correspondente à sua idade, oferendo-lhe papel-dinheiro e pivetes que são colocados nos pequenos incensórios que se encontram em frente da sua imagem.