segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Calçada do Teatro

Calçada do Teatro. Macau, 2008

Calçada do Teatro: começa na Rua Central, mesmo em frente à Calçada de Santo Agostinho, e termina no Largo de Santo Agostinho.
O teatro, ao qual foi dado o nome de D. Pedro V, foi construído em 1860 segundo o risco do macaense Pedro Germano Marques. A actual fachada data de 1873 e foi delineada pelo Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo, tendo sido restaurada, em 1918, por José Francisco da Silva (conforme P. Manuel Teixeira, Toponímia de Macau, vol. I)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Cores do Oriente

Esfregonas, vassouras e moinhos de vento à porta de uma pequena mercearia na zona do Porto Interior. Macau, 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Rua da Pedra

A Rua da Pedra que os chineses designam por Seák-Tch'éong-Kai, ou seja, Rua da Parede de Pedra. Macau, 2008

Altar

Altar no Pátio da Agulha. Macau, 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fragmentos

Taipa. Beco da Formiga.

«Macau envelhecido nas fachadas;
rostos, aguarelas nos postigos;
luzes, sombras; contrastes muito antigos;
fios, gaiolas, roupas penduradas.
(...)»
António Correia. «Quadro de Macau Antigo», in Antologia de Poetas de Macau.

Pátio das Calhandras

Pátio das Calhandras. Macau, 2008


Delas se diz que voam rasteiro
que são de bico forte
como as cotovias
as calhandras

Há galegas e lavercas
cochichos e de crista
e se ribeirinhas crescem
calhandrinhas marítimas

E há este pátio
onde entraram
de asas siando
perfurando as lajes húmidas
debicando as migalhas
que a memória lá foi deixando
cantando talvez
quando as portas e as quase janelas
rangendo
lhes soavam como sinos
de sol de lua de chuva ou de vento

Não há é calhandrices

Pelo menos é o que (me) conta o letreiro

João Rui Azeredo. Pátio das Palavras. Macau 1995

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Festividade do Ano Novo Lunar (III)

Mercearia na Rua do Rebanho. Macau, 2008

«(...) À medida que se aproximando o dia festivo, vão-se animando as ruas. Em lugares mais frequentados, organizam-se feiras, onde os negociantes improvisam as sua tendas repletas de artigos de louça e de todos os objectos adequados ao uso caseiro. Prosperam nesses dias os impressores ambulantes que não cessam de satisfazer os pedidos de numerosos clientes com vermelhos cartões de visita impressos em caracteres de fantasia. As mercearias regurgitam de fregueses que necessitam de fazer as suas provisões, pois, durante alguns dias, ninguém trabalhará na China e todas as lojas se conservarão encerradas.
(...)
São as tiras de coco, bocados de tomate, sementes de loto, talhadas de gengibre, coquinhos descascados, laranjinhas, pedaços de abóbora, rodelas de raízes de lótus, tudo cristalizado e frituras de variada espécie, primando os tchin tui de Lông Kóng, esferas de massa com recheio adocicado e todo salpicado por fora com gergelim - os tchin tui à moda de Káu Kóng, os u há, fios de inhame torrados - os azeitados t'óng uán e os tão apreciados e indispensáveis tái long kou - espécie de pudim seco e compacto, preparado com farinha de arroz glutinoso. (...)»
Luís Gonzaga Gomes. «A Festividade do Ano Novo», in Macau Factos e Lendas. Instituto Cultural de Macau. 1994

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A Festividade do Ano Novo Lunar (II)

O Deus do Fogão

«(...) Chegado o dia 24 da última Lua, não há casa nenhuma que não celebre sacrifícios ao Tchou Ká P'ou Sát ou Tchou Kuân (o Senhor do Fogão) cuja imagem, enegrecida pelo fumo, se encontra num nicho escavado na parede, mesmo atrás do fogão. Esta imagem, em cartão, conforme a fantasia e a imaginação do artista, seu autor, é representada por um velhinho, tendo a seu lado uma velhinha, sua companheira, ambos sentados, no seu respectivo trono, ou por um homem de meia idade e barrigudo, tendo ao seu lado um cavalo, ou ainda por um solerte jovem em atitude de agente fiscal, segurando uma tabuinha numa das mãos, na qual aponta com irritante zelo tudo quanto observa em casa de cada um. Aqueles que não puderem despender uns cobres para a compra desta imagem limitar-se-ão a aplicar, na parede, atrás do fogão, uma folha de papel vermelho, onde pincelarão os caracteres correspondentes ao nome e respectivos títulos da divindade em questão, pois, sendo ela o agente de ligação entre os mortais e os celícolas, o espia que tudo vê para ir relatar ao soberano do Céu, quem há que se atreva a deixar de lhe "bater a cabeça", de lhe acender umas velas e de lhe oferecer alguns bolinhos?
Tchou Kuân foi, primeiramente, cultuado pelo imperador Mou Tâi, no ano de 133 a.C. devendo ter sido, primitivamente, o deus do Fogão, o Agni dos brâmanes.
Para cativarem e lisonjearem esta intriguista e coscuvilheira divindade, a fim dela não ir intrigar junto de Iôk Uóng, o Imperador Jade, a respeito da conduta moral e outras mazelas dos membros de cada família, que teve oportunidade de observar, no decorrer do ano, tratam de lhe apresentar deliciosos manjares e saborosos doces com que julgam poder adoçar-lhe os lábios, e muitos, com o fim de o entorpecerem ou de o porem de bom humor, não se esquecerão de lhe oferecer capitosos e inebriantes licores e ópio, certos de que desta forma o tornarão mais tolerante. Dos que não andam com a consciência tranquila, há quem trate de adoçar os beiços desta divindade com mel ou com dois bocados de jagra ou de a embriagar, molhando a sua imagem em vinho.
Entretanto, improvisa-se um pequeno altar no átrio, com o fim de se instalar a sua imagem, berrantemente policromada, que é transportada numa lecticazinha, entre velas, pivetes e incensadores e, depois de o adularem, "batendo-lhe a cabeça", por três vezes e murmuradas umas orações, chega-se-lhe a chama de uma vela, para Tch'ou Kuân poder ascender em fumo ao trono perlífero.
A imagem deste deus da cozinha costuma também ser incinerada com alguns fios de palha e borrifada com água ou chá, a fim de o cavalo que o transportará para junto do trono perlífero não padeça fome nem sofra sede, durante a fatigante viagem, que durará sete dias, tanto para a partida como para o regresso. Durante esses dias da ausência do deus-espião, todos respiram, livremente, vivendo despreocupados, pois grande é a sensação de alívio que experimentam com a sua ausência.
Assim como na partida da divindade, o seu regresso é saudado, nas primeiras horas do Novo Ano, com uma ininterrupta salva de panchões. Nova cópia da sua imagem é entronizada, cerimónia que finda com respeitoso "bater de cabeça" e devoto oferecimento de alguns pivetes acesos (...)»
Luís Gonzaga Gomes. «A Festividade do Ano Novo», in Macau Factos e Lendas. Instituto Cultural de Macau. 1994

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Festividade do Ano Novo Lunar (I)

As três divindades da Felicidade, da Prosperidade e da Longevidade.
in Xilogravuras do Ano Novo Lunar.


«(...) De todas [as festividades chinesas], a mais prolongada, ruidosas e aparatosa e, portanto, aquela que se festeja com o mais fervoroso entusiasmo é a da Sân Nin (Ano Novo), para a qual valem a pena todos os sacrifícios que se fizeram durante o ano, com o fim de economizar aquilo que irá ser despendido, generosamente, nos três dias de tão grande solenidade, em que, a não ser os indigentes, todos terão de calçar um par de calçados novos, exibir a sua cabaia de luzente seda, ter em casa o imprescindível para a celebração do tríplice culto, bem como os mimos necessários para os permutar com as pessoas das suas relações, como manda a inflexível praxe.
Em chinês, o dia do Ano Novo é, vulgarmente, designado por nin tch'ó iât (o primeiro dia do ano), dia este que se denomina porém, com mais rigorosa propriedade un tán (primeira alvorada), ou un iat (primeiro dia), ou ainda lei tun (princípio de acção), designação esta extraída da frase léi tun u tch'i, de um passo do Tchó Tchun, um dos treze clássicos chineses, e que significa "princípio com rectidão"
(...)
A entrada do astro-rei no Aquário é saudado, na manhã da data do início de láp tch'án (começo da Primavera) com um contínuo estralejar de panchões (estalos da Índia), logo após a cerimónia de aposição, no meio do dintel das principais portas da casa, dum rectângulo de papel auspiciosamente encarnado e salpicado a ouro, o hông mun tch'in (frente da porta vermelha), bem como da colocação na parede, junto da porta principal, doutro rectângulo de papel encarnado, pincelado com os seguintes caracteres t'in kun tch'i fôk (que o Senhor do Céu nos conceda a felicidade), e ainda de mais uma folha também de papel encarnado, no pé da porta da entrada principal da habitação, onde figuram os seguintes caracteres invocativos mun hâu t'ou tei tchip uáng tch'ói sân (que os deuses locais da porta acolham os espíritos indirectos da sorte), cerimónia esta, que é acompanhada de libações e ofertas de pitéus aos espíritos invisíveis e que termina com a colocação de vários pivetes acesos e a queima de vários pacotes de panchões. (...)».
Luís Gonzaga Gomes. «A Festividade do Ano Novo», in Macau Factos e Lendas. Instituto Cultural de Macau. 1994

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Kung Hei Fat Choi

Hoje, em Macau, a festa foi assim.

Cores do Oriente

Macau, 2008

Flores do Génio da Água

(Narcissus Tazetta - imagem da Wikipedia)

São as "flores do génio da água", as Sôi Sin Fá, flores que brotam dos seixos e que se vendem em Macau por altura do Ano Novo Lunar.
Conta a lenda que um jovem, A Chun assim se chamava, herda por morte do pai um pequeno terreno pedregoso e lamacento. O irmão mais velho, que procedera às partilhas, destinara para si o arrozal e a casa da família, ficando A Chun com o tal terreno pedregoso, junto a um charco, e uma cabana que partilhava com o búfalo.
Sentado à borda do charco, o jovem A Chun pega na sua flauta, que ele próprio fabricara a partir de um pequeno colmo, e começa a tocar uma melodia tão triste como a tristeza em que se encontrava. Ouve, então, outra melodia, uma música misteriosa que nunca antes escutara. Do charco surge a figura de um velho com uma flauta de madeira de salgueiro numa mão e três bolbos na outra. Sorrindo, mas sem dizer uma única palavra, o velho ofereceu-lhe a flauta e os bolbos e desapareceu antes que o jovem lhe pudesse agradecer.
Sem saber o que fazer com estas estranhas dádivas, A Chun sentiu, contudo, uma imensa paz. À noite sonhou que o velho búfalo se transformava no velho do charco e que lhe dizia: "A Chun, planta os bolbos no charco pedregoso. Depois, percorrerás as aldeias e com a tua flauta mágica tocarás para os aldeões".
Assim fez A Chun. Plantou os bolbos no charco, entre os seixos. Durante meses, flautista ambulante, percorreu vilas e aldeias, sempre com a sua nova flauta da qual saíam melodias maravilhosas. Por fim, já no final do Inverno, nas vésperas do Ano Novo, regressa à sua cabana. Para sua surpresa, depara-se com o charco coberto de flores lindíssimas. Eram tantas que A Chun resolveu ir vendê-las no mercado das flores. As flores, cor de marfim, encantavam qualquer um. Contudo, ninguém conhecia tal flor e quando lhe perguntavam o nome o jovem respondia: "Sôi Sin Fá, Flores do Génio da Água".

domingo, 20 de janeiro de 2008

Praia Grande

A grande praia...

Grande

Ondulante serpente
aos pés do dragão

Todo o tempo
por ti passou...

e as tuas pedras
ficaram mudas

Albergas agora memórias
em cócoras de longas barbas
de complicados xadrezes

E os pares!
Que na novidade de um beijo furtivo

Te dão o sangue
e o futuro

Fernando Sales Lopes. Pescador de Margem. Livros do Oriente, 1997

Popeye e Olívia Palito

Popeye e Olívia casaram-se ontem. Aqui, em Macau, na Igreja da Sé.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Fragmentos

Travessa dos Becos. Macau

«Peixes de Tropical Lei Lei»

«Peixes de Tropical Lei Lei», na Rua dos Ervanários. Macau, 2008

Pátio do Mestre

Pátio do Mestre. Macau, 2008

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Grades e estendal de roupa no Beco do Porco

Beco do Porco. Macau, 2008

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

«Via-se dali a ilha toda»

Leprosaria de Ká-Hó. Coloane, 2008


«Quando o Sol descia no mar, o morro, ao cabo da ilha, era um archote flamejante. Parecia que o mundo ia acabar ali, ou talvez começar, que novas formas, ou o nada, surgiriam, definitivas, da massa ígnea dos elementos - terra argilosa, céu e água ardendo ao sopro do Espírito - e que o tempo que havia de suceder-se seria o dia perfeito da natureza depurada.
A-Mou, que tinha na face rosetas de lepra, todos os dias saía a admirar o espectáculo do entardecer, trémula de inquietação e de esperança.
Era a hora em que as outras doentes se acolhiam ao canto dos catres, ou porque o Sol, espelhando-se no mar, lhes feria os olhos infeccionados, ou apenas por inexplicáveis, secretas superstições.
A-Mou era jovem, e a doença, ainda no princípio, não lhe causava sofrimento. Verdadeiramente, só tinha as rosetas. O médico prometera-lhe cura. Ela gostava de viver, de se aformosear com cabaias garridas, flores no cabelo, laca nas unhas.
Pelo fim da tarde, levando ao colo o seu favorito - um porquinho-da-índia que lhe dormia aos pés da cama como um gato -, A-Mou subia até ao mais alto do morro, sonhando com um amanhã novo, diferente, melhor.
Via-se dali a ilha toda: os talhões pantanosos de arroz fulgindo aos últimos raios de sol, nos vales; os arbustos de chá e de inhame em socalcos pelas encostas; as pedras negras e amarelas por entre as matas sempre verdes de abetos. E ver a ilha era, de certo modo, contemplar o mundo, vislumbrar a vida para além da leprosaria (...)».
Maria Ondina Braga. «Os Lázaros», A China fica ao lado. Bertrand, Unibolso.

Igreja de Nossa Senhora das Dores

Igreja de Nossa Senhora das Dores, Ká-Hó. Coloane, 2008

Dedicada a Nossa Senhora das Dores, esta pequena igreja foi construída em 1966 e contou com a colaboração de dois escultores italianos, Franscisco Messima e Oseo Acconci.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Cozinha Ambulante

Cozinha ambulante na Rua da Palha. Macau, 2008

Escreveu o Padre Teixeira (na sua Toponímia de Macau): «Deu-se-lhe este nome [à rua da Palha] devido à palha que lá se vendia, o que foi proibido em 1828, como se vê do seguinte:
"(...) Eu Mandarim Cso-Tam, faço saber, por este, a todos os Chinas, que tendo por noticia, que na rua, q. vai para Sm. Paulo atraz de S. Domingos, se está vendendo palha, impedindo-se desta maneira o caminho com o perigo de fogo, deve-se por isso prohibir; por tanto mandei publicar este Edital, para q. todos os vendedores de palha saibão, e obedeção, e não vendão mais palha na ditta rua, com communicação de serem agarrados, e castigados (...)"
».

Pátio dos Velhos

Pátio dos Velhos. Macau, 2008

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Povoação de Hac Sá

Represa na povoação de Hac Sá e templo de Tai Wong. Coloane, 2007

O pequeníssimo templo da povoação de Hac Sá, com apenas uma câmara, é dedicado a Hung Seng, deus protector dos residentes.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Fragmentos

Beco da Pinga. Macau, 2007

Travessa da Porta

Venda de artigos de culto na Travessa da Porta. Macau, 2007

Grades e estendal de roupa na Travessa do Patane

Travessa do Patane. Macau, 2007

A Travessa do Patane, que em chinês se designa por Sá Lei T'au Hong, ou seja, Travessa das Peras, liga a Travessa da Palanchita à Calçada das Sortes, junto à Escada do Papel.

Travessa da Palanchica

Travessa da Palanchica. Macau, 2007

Por Palanchica era designado um pequeno baluarte ou fortificação que existiu no cimo da colina do Patane. Citando Marim Chaves, em O Renascimento do Município Macaense, escreve o Padre Teixeira na sua Toponímia de Macau:
«Perto da ermida (de S. António) construiu-se uma tranqueira, pequena fortificação levantada para o que desse e viesse e equipada com algumas peças com que as naus do Japão a dotaram. Este baluarte foi por muito tempo conhecido pelo qualificativo de Palanchica, da qual é descendente a actual travessa da Palanchica que liga hoje a praça Luís de Camões, por um lado, com a rua dos Colonos, indo esta terminar no Tarrafeiro, e por outro lado, e nas alturas da escada do Papel, com a travessa do Patane, à qual se seguem a calçada das sortes, rua da Palmeira e largo do Pagode».

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Beco da Pinga

O «Estabelecimento de Comidas (Sopa de Fitas) "Á Chi Min Ká" no Beco da Pinga. Macau, 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sapataria

«Airat Apas Mit Mak / Kam Tim Sapa Taria», no cruzamento da Estrada de Coelho de Amaral com a Rua de Fernão Mendes Pinto. Macau, 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Templo de Kuan Tai

Templo de Kuan Tai, na povoação de Cheoc Ka. Taipa, 2007


O Caminho das Hortas

Povoação de Cheoc Ka. Taipa, 2007

Caminho das Hortas. Taipa, 2007

É uma estreita estrada - o Caminho das Hortas - ladeada, ora de frondosas árvores do coral (Erythrina variegata), ora de pequenas habitações das povoações Cheoc Ka e de Sam Ka. O pequeno templo de Cheoc Ka, dedicado a Kuan Tai, deus da guerra, da lealdade e da bravura, é composto apenas por dois pavilhões, um com a imagem do deus guerreiro, o outro com a deusa Tin Hau, a Soberana dos Céus. O deus deste pequeno templo, fundado e construído entre 1662 e 1723 pelas primeiras famílias que se fixaram nesta zona da Taipa - as famílias Lam e Cheok -, protegia os habitantes dos ataques dos piratas.
Restos de um mundo rural, um pequeno oásis rodeado por torres de betão, na ilha da Taipa.

Pivetes e Velas

«Ldja de Pive Tee Vela Pio Kei», a Rua da Praia do Manduco. Macau, 2007

Estabelecimento de Comidas

«Estabelecimento de Comidas Hong Seng», na Rua de Nossa Senhora do Amparo. Macau, 2007

Artigos para sapato

«Loja de Artigos Para Sapato Meng Kei», na rua das Estalagens. Macau, 2007

domingo, 16 de dezembro de 2007

Dístico comercial

Há os erros de ortografia, as gralhas, as traduções para o português que, muitas vezes, resultam com imensa graça.
São as casas de «pasdo», as lojas de quinquilharia, umas de «quiquilapia», outras de «quinouilharia»; são os «antiguários» e as lojas de «antiquidades», são as que vendem «lavaporios», as «alfaiaparias» ou as de «vesidos de noiva»; são as lojas de «chã de medicional» e os estabelecimentos de comidas saudáveis. Designam-se por «esabelecimento», «estabelerimento», «esta belecimento», ou algo semelhante e, alguns, apesar da mudança do ramo de actividade, mantém designações antigas, como uma pequena loja de vassouras que vende louças. Outros há cuja designação regista, exactamente «Dístico comercial do estabelecimento e localização»...

A «Sociedade Malandro Limitada» (na Rua dos Mercadores), uma farmácia «chivesa», as associações de «conterràneos» (como a de Man Sai, nos três candeeiros), um centro de beleza de «auto tecnologia» (na Estrada de Coelho de Amaral) ou uma associação de «carne de porco» («Associação de Carne de Porco "Ion Hap Tông», na Praia Grande), são alguns exemplos deste universo muito peculiar.

«Quinouilharia»

«Long Seng Hou Quinouilharia» na Rua dos Ervanários. Macau, 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

Fragmentos

Travessa dos Mercadores. Macau, 2007

Massagista Quedas e Pancadas

«Massagista Quedas e Pancadas» com consultório na Rua dos Ervanários. Macau, 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Rua do Campo

Rua do Campo. Macau, 2007

A Rua do Campo, a que os chineses chamam Sôi Hang Mêi, isto é, Extremo do Regato, começa no local onde se cruzam a Avenida da Praia Grande e as ruas Formosa e de Santa Clara e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, junto da Calçada do Poço.
O topónimo «Rua do Campo» refere-se a um «campo» que se estendia a oriente da cidade, já fora das muralhas. Essas muralhas iam da Guia à Fortaleza do Monte e ao Patane e possuíam duas portas, a de Santo António e a do Campo. A designação chinesa da rua, Sôi Hang Mêi - Extremo do Regato - evoca, na convicção de Gonzaga Gomes, «porventura, o facto de ter havido noutros tempos algum fio de água que vertia pela encosta do Monte abaixo» (in Lendas Chinesas de Macau).

Lua Cativa na Fonte














Lua Cativa na Fonte


Lendas esgueiram-se da memória
Antes que te encontre no meu sonho

Por fim vejo-te, grácil, caminhando
Pelos bosques eternamente verdes

Como a difusa neblina alastra
Na orla da tua saia dançam alces

Teu claro olhar é tão profundo
Que alberga o meu céu inteiro

Poemas de Gao Ge (traduzido para o português por Fernanda Dias, com o apoio da estudiosa em literatura chinesa Stella Yee)

Excerto do prefácio de Stella Lee Shuk Yee: «(...) Fernanda comentou ter sido tocada pela emoção com que eu lhe li os poemas em mandarim, e pelo entusiasmo com que os comentei em seguida. Para cada carácter chinês impunha-se encontrar o sentido mais aproximado, muitas vezes recorrendo às três línguas em que podemos comunicar. A cada verso era preciso fazer corresponder uma imagem, uma figura que Fernanda Dias pudesse "pintar" na sua língua (...)»

sábado, 8 de dezembro de 2007

Artigos de Culto

Estabelecimento «Artigos de Culto Tang Choi Kuai» na Rua 5 de Outubro.
Macau, 2007

Cozinha Ambulante

Estabelecimento de comidas no início da Rua dos Ervanários. Macau, 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Travessa das Janelas Verdes

Travessa das Janelas Verdes. Macau, 2007

Liga a Rua dos Ervanários à Rua das Estalagens e ao Beco da Pinga. Designa-se, em chinês, tal como a rua das Estalagens, por travessa e rua «da massa ou do montão de palha», designação esta que o Padre Teixeira explica: «(...) ali devia ter existido palha ou talvez estábulos de cavalos, pois ali perto existe a Rua da Palha. Por conseguinte, essas vias deveriam chamar-se não das estalagens, mas dos estábulos».

Fragmentos

Beco das Galinhas. Macau, 2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Beco dos Faitiões

Beco dos Faitiões. Macau, 2007

Os becos, em Macau, possuem esta particularidade: são becos com saída. Este, dos Faitiões, começa por um estreito túnel que parte da Rua da Tercena e termina na Rua de Santo António. O Padre Teixeira, na sua Toponímia de Macau, explica a origem do vocábulo faitião. Vem do chinês e significa «barco ligeiro» (fai=veloz; teang=barco). O nome foi atribuído a uma rua, a uma travessa e ao beco «para comemorar a revolta dos marítimos chineses, a 8 de Outubro de 1846, contra o governador Ferreira do Amaral, por este ter imposto uma taxa sobre os seus barcos».