quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Um gigantesco caranguejo
terça-feira, 12 de setembro de 2006
Macau di Tempo Antigo: «Tancás e Marinheiros»
Nada mais curioso, mais inesperado, do que estes rostos de sereia de nova espécie, assomando às vigias dos camarotes e das câmaras, falando para dentro, interrogando, perguntando-nos a que horas vamos para terra, ou pedindo-nos uma laranja da nossa sobremesa: rostos sem beleza nem frescura, curtidos aos rigores do tempo, mas onde apesar disso brilha por vezes um olhar doce de fêmea, carinhoso e suplicante. Pobres tancareiras, agarradas desde a infância ao remo que as sustenta, regeladas no Inverno pela brisa da monção, tisnando ao sol ardente do Estio, ensopando as cabaias na onda dos chuvascos! Pobres párias do mundo! Queremos-lhes todos. Que são elas afinal, senão as nossas companheiras de trabalhos, uma parte integrante das guarnições dos nossos navios?
Vivendo longos dias nos tancás amarrados à popa da nossa canhoneira, fazem-nos assistir à sua íntima labuta, cuidando da pobre casa flutuante, remendando andrajos, lavando as crianças, preparando a cozinha. Vemo-las pentear as negras tranças, comer o seu arroz, implorar aos deuses. De quando em quando levantam-se azedas disputas, resolvidas a murro, e não é raro ter de intervir a autoridade, admoestando o femeaço como se tratasse de grumetes balhões.
(...)
É aos domingos que o bando de tancás moureja mais. Vinte ou trinta soi-sau-quai, diabos com as mãos na água (é esta a picaresca denominação chinesa), vestem a melhor farpela, escovam-se, engraxam-se, alisam as melenas, dispondo-se a ir afogar em oito horas de folia o mau humor de uma semana inteira de trabalho. Os tancás aguardam a curta distância. Soa a hora de embarcarem as licenças. Aí vão eles, chape, chape, pompejantes de alegria; ao largo, soltam-se de dentro expansões em grande berra, natural desforço de quem a bordo só pode falar baixinho; ri-se, canta-se; e lá de quando em quando um gritinho agudo vem acusar melindres ofendidos por algum galanteio mais pesado daquelas mãos alcatroadas, que palpam, e beliscam, sem cerimónias». [Março de 1892].
Wenceslau de Moraes. «Tancás e Marinheiros», in Traços do Extremo Oriente. Parceria A.M.Pereira. 2ª edição, 1971
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
domingo, 27 de agosto de 2006
Macau di Tempo Antigo: Rua Nova do Comércio
«Rua Nova do Comércio - Pig Market - Mercado de Porco». Macau Post Card, publicado por Hong Iat Cheong e Ho Weng Hong, não datado (cerca de 1900).sexta-feira, 25 de agosto de 2006
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
São simplesmente "casas de penhor"
Casa de Penhor Tak Seng On. Macau, Junho de 2006As sua janelinhas, muito pequenas e estreitas, gradeadas de ferro e reminiscentes das barbacãs de velhos castelos, evocarão decerto no seu espírito, as tumultuosas épocas de desordenados fossados, acaudilhados por ambiciosos barões feudais, sempre impetuosos e sempre irrequietos, épocas essas em que os habitantes dos velhos burgos se viam forçados a encerrar-se dentro das suas fortalezas, para defenderem as suas vidas e as dos seus.
quarta-feira, 12 de julho de 2006
domingo, 11 de junho de 2006
sábado, 10 de junho de 2006
A Rua das Mariazinhas
Rua de S. Domingos (Mariazinhas). Macau, Maio de 2006As minhas recordações da Rua de S. Domingos remontam à infancia. O cenário mais antigo que se me fixou na memória é provavelmente o de estar parado diante da loja de antiguidades chinesas que se anunciava, em letras brancas num fundo azul-claro, com o nome de "Pessanha-Curious". O estabelecimento ficava onde hoje se encontra a Livraria Portuguesa, ocupando talvez uma área mais pequena.
Na porta estava um homem magro, pálido, meão de altura, feições macaenses fortemente orientais e pouco cabelo. Cumprimentou os meus pais sorridente, trocaram umas palavras e seguimos adiante. Perguntei quem era. O meu pai respondeu:
- É o filho de Camilo Pessanha.»
Henrique de Senna Fernandes. «Rua das Mariazinhas», in Mong-Há, Instituto Cultural de Macau, 1998
sexta-feira, 9 de junho de 2006
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Casa de penhor
Um morcego voa
e apanha uma moeda de cobre
conduz os miseráveis para dentro da porta
O condutor é cego
Logo que um miserável entra
esconde-se por detrás do biombo
Até os seus objectos
embrulhados em folhas de um jornal já lido
são de vergonha
Entre o biombo de madeira e o balcão
entre os objectos e o recibo de penhor
os miseráveis ficam mais miseráveis
A quem interessa
outro biombo que oculte a sociedade?
Han Mu. «Casa de Penhor», in Antologia de Poetas de Macau.
Macau Património Mundial: Casa do Mandarim
Encerrada temporariamente.
O Centro Histórico de Macau
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Macau di Tempo Antigo: no Bazar
«Tudo é alegria no Bazar, uma alegria que nos mergulha na calma tranquilidade chinesa, que nos invadem e conquista, insensivelmente, como um filtro que se absorvesse ao respirar.
Bazar Grande e Bazarinho
(1) e (2) Henrique de Senna Fernandes. «Chá com Essência de Cereja», Nam Van.
«Pátio do Poeta. Só dele»
Pátio do Poeta. Macau, Maio de 2006usurárias as palavras-pautas-palmas
Rastos de expressão os rostos
daquelas bocas de restos
Góticos os esgares
flamejantes quando esfaqueam o ar
Os dedos dados
de mãos nunca dadas
como se compassos vazios
de músicas abortadas
Só
o cavalo alado
com a crina dos mistérios
plana
montado por omissões descodificadas
em tiras de papel qualquer
como se vozes outras
do poeta
a rasgar o tempo
João Rui Azeredo. in Antologia de Poetas de Macau.
quarta-feira, 31 de maio de 2006
O Pequeno Kun Iam
Ao invés de vasos com plantas ou flores, ou de tanques com lótus, dois enormes jamboleiros preenchem por completo o pequeno pátio do Kun Iam Ku Miu.
«Macau em Maio»
e de acácias rubras
e de chagas de melancolia nos muros velhos.
Teus longos braços novos de betão e vidro
rompem a bruma matinal
por sobre os restos da antiga beleza.
Fernanda Dias. in Antologia de Poetas de Macau.
terça-feira, 30 de maio de 2006
Estória di Maria co Alféris Juám
Juám sã unga alféris di Bataliám (vinte cinco áno na-más), arto, ôlo grandi, cabelo marêlo-ôro, co unga bigode grosso tamêm aloraça. Já vêm di Portugal, têm na Macau dôs áno fora, não sabe falá china, nunca intendê nôsso língu maquista. Sorte qui Maria já vai escola na Convento Santa Clara, já prendê torá portuguêz pa podê papiá co su quirubim di bigode grosso.
(...)
Maria já conhecê estunga Juám têm perto cinco mês, unga domingo na adro di Sé, quelora cavá missa-tropa. Na dentro di greza, Juám olá Maria, nom-pôde largar ôlo; Maria virá cara sã ta olá acunga dôs ôlo lustro ta contemplá êle, raganhado.Tudo dôs nom-pôde uví missa bêm-fêto».
José dos Santos Ferreira (Adé). «Estória di Maria co Alféris Juám», Macau di Tempo Antigo (Poesia e Prosa) - Dialecto Macaense -, Edição do Autor, Macau, 1985
quelora - quando; no momento em que.
cavá - depois; em seguida (Cavá vem de «acabar»)
estunga - este ou esta
greza - igreja
lustro - que tem brilho; luzidio
Olá - ver, olhar. Olá bem-fêto! - vejam bem!
Ôlo - olho
quelora - quando; no momento em que.
raganhado - arreganhado
sã - do verbo ser.
tá - do verbo estar
torá portuguêz - à letra seria «torrar o português»; diz-se da pessoa que se esforça em falar correctamente o portugês, com pronúncia afectada.
domingo, 28 de maio de 2006
Hong Kung, o deus guerreiro
Templo de Hong Kung. Macau, Maio de 2006 Jardim de Lou Lim Ieoc
Jardim de Lou Lim Ieoc. Maio de 2006João Aguiar. «O Deus dos pássaros». Rio das Pérolas. Livros Oriente. pág. 27
Jardim de S. Francisco
Jardim de S. Francisco. Macau, Maio de 2006No ano de 1935 assistiu-se à destruição do coreto e à dissolução da banda municipal; nesse mesmo ano foi autorizada a construção da via pública de S. Clara, retalhando-se, para esse efeito, o jardim.
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(1) Henrique de Senna Fernandes, «Uma Pesca ao Largo de Macau». Nan Van. Instituto Cultural de Macau. 1997, pág. 32
«Eu chamava-a simplesmente a Árvore»
«Eu gostava muito da parte superior do Jardim de S. Francisco, paredes-meias com a Rua Nova à Guia. A área era mais larga que hoje, cobria a Calçada do Quartel que não existia, e estava separada da ala das residências dos oficiais, por um muro formando beco. Havia ali um jardim frondoso e bem tratado com áleas, onde se aprumavam frangipanas e bauínias entre arbustos e outra vegetação. As frangipanas davam as chamadas "flores de S. João" branco-amarelas, de cheiro capitoso. As bauínias abriam as suas flores arroxeadas ou róseas na Primavera e eram um regalo para os olhos. As champacas misturavam-se com as roseiras. Sebes de camélias e damas-da-noite dividiam os caminhos. Pairava no ar uma confusão de aromas inebriantes. De manhã à noite, desbobinava-se a sinfonia zangarreante das cigarras, em labor incansável, desmentindo a fábula conhecida. Nos bancos verdes e já veneráveis, sentavam-se os anciãos chineses que traziam, em gaiolas grandes e pequenas, algumas artisticamente ornamentadas, os seus pássaros favoritos - rouxinóis, chevites, melros, canários e outros - que trinavam à compita com a passarada livre, derramada pelas árvores. Eternamente, as borboletas saltitavam de flor em flor, à procura do pólen. (...) Por entre aquela vegetação abundante, sobressaía a maior árvore de pagode que jamais vi em Macau, à excepção da do Seminário de S. José. Eu chamava-a simplesmente a Árvore. Alta, tronco grossíssimo, bem copada, a ramaria espraiando-se largamente para o céu, a sombra hospitaleira e benigna em círculo, abrigando os passeantes da canícula ou da chuva. Em cima havia sempre chilreada dos passarinhos que construíam ninhos inacessíveis à garotada. O tronco secular tinha reentrâncias e nós que permitiam fácil escalada aos primeiros ramos. Eu costumava trepar por ele acima muito ágil e assentava-me num dos ramos gozando a altura e o panorama. (...) Mais tarde, homem feito, quando regressei de Portugal depois de uma ausência de oito anos e calhou visitar aquela parte do jardim, tudo estava praticamente irreconhecível. Existia ainda o gracioso edifício cilíndrico, mas a vegetação fora desbastada e não restava o mínimo vestígio da Árvore. Sabe-se lá porque tinha sido derrubada. Sofri um golpe doloroso na sensibilidade. Desaparecera para mim a mais nobre árvore de Macau».
Henrique de Senna Fernandes, «Rua das Mariazinhas», Mong-Há. Instituto Cultural de Macau, 1998, págs. 75-76
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Macau Património Mundial: Quartel dos Mouros
Horário: das 9:00 às 18:00 horas (Varanda)
O Centro Histórico de Macau
Cidádi di Nómi Sánto
«Nôsso Macau, nómi sánto,
Vosôtro olá!
Qui ramendá unga jardim;
Fula fresco na tudo cánto
Sã pa ispantá,
Sai semeado, nom têm fim.
Gente di Macau, na passado,
Co tánto lágri já regá
Su fula cherôso, abençoado,
Qui Dios já ajudá semeá.
No mundo assi transtornado,
Sã fazê triste coraçám
Olá gente falá cuidado,
Dessa fula muchá na chám.
(...)
quarta-feira, 24 de maio de 2006
A Fonte do Lilau
«Quem bebe água do Lilau
Não mais esquece Macau:
Ou casa cá em Macau
Ou então volta a Macau.»
Lilau é nome que perdura no largo, e também, numa calçada, num beco e num pátio. Originariamente era Nilau, do cantonense Nei-lau - que significa «corrente de água do monte» -, e foi o primitivo nome da colina da Penha, designação que se manteve até à construção, em 1622, da ermida de Nossa Senhora da Penha.
Os chineses chamam-lhe o Poço da Avó (ou da Antepassada), designação particularmente interessante, já que o poço, ou fonte, localizava-se muito perto do templo de A-Má, ou Tin Hau, a Rainha Celestial, e A-Má, ou Má-chou, é o nome que, curiosamente, se atribui à Avó paterna, a primeira antepassada. Tal como o poço da Avó ou de Má-chou, a Antepassada, que é também a Rainha do Céu, simbolizando a união entre o Céu e a Terra, o nome de Nilau ou Nei-lau, se afigura, igualmente, como a união entre o monte e a água, ou seja, das águas que escorrem dos montes, das nuvens e do céu e se juntam à Terra.
Os nomes das ruas
Rua dos Bem Casados. Taipa. Janeiro de 2006P. Manuel Teixeira na Explicação Prévia à obra Toponímia de Macau.
Macau Património Mundial: Largo do Lilau
Largo do Lilau. Macau. Janeiro de 2006«Os depósitos de água subterrânea da zona do Lilau constituíam a principal fonte de água natural em Macau. A popular frase "Aquele que beber da água do Lilau, jamais esquecerá Macau" expressa bem a ligação nostálgica dos habitantes com o Largo. Esta área corresponde a um dos primeiros bairrros residenciais portugueses em Macau». in RC - Revista de Cultura, nº 15, Julho de 2005
terça-feira, 23 de maio de 2006
Má-Káu-Seak, o Rochedo do Cavalo no Coito
(2) Padre Manuel Teixeira. Toponímia de Macau, tomo 1, págs. 38-39
(3) Almerindo Lessa, citado por P. M. Teixeira.
(4) Em Sino-Portuguese Trade from 1514-1644: a Synthesis of Portuguese and Chinese Sources, 1934, T'ien-Tsê-Chang atribui o nome de Macau ao famoso rochedo «chamado Má-chião (...) ou Ma-Kao em cantonês».
(5) Padre Manuel Teixeira, ob. citada. pág. 39
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Leal Senado
Edifício do Leal Senado. Macau. Maio de 2006sexta-feira, 19 de maio de 2006
Igreja de S. Lourenço
Ao certo, não se sabe a data da sua construção, mas o Padre M. Teixeira, citando Frei José de Jesus Maria – Asia Sínica e Japónica -, diz que a igreja foi erecta entre 1558 e 1560, referindo-se à construção desta igreja, à de Stº António e à de S. Lázaro, «em o seguinte anno de 1558 até o de 60». Se foi ou não construída nesse período de tempo, não se sabe. Mas já existia em 1576, pois dela escreve um padre jesuíta ao Geral da Companhia: «(...) chamao os nossos cõ cãpaqinha pola cidade, & se faz a doutrina christãa, & se fazem alguas exortações, e isto assi na nossa igreja como na outra q, he de S. Lço. Martir, cõcorre mta.».
1) «The Parish Church of St. Lawrence at Macao», Journal of Oriental Studies, Volume VI, 1961-1964-Number 1 and 2. University of Hong Kong.
Macau Património Mundial: Igreja de S. Lourenço
Igreja de São Lourenço. Macau. Maio de 2006 «Construída pelos jesuítas em meados do século XVI, é uma das igrejas mais antigas de Macau. O seu presente aspecto é o resultado das obras efectuadas em 1846. Situada no litoral sul da cidade, na sua escadaria principal, na época com vista directa sobre o mar, costumavam reunir-se as famílias dos marinheiros aguardando o seu regresso, razão pela qual lhe foi dado o nome de Feng Shun Tang (Igreja dos Ventos de Navegação Calma). De estrutura neoclássica com um subtil tratamento decorativo de inspiração barroca, a sua escala e riqueza arquitectónica refletem a riqueza do bairro onde se inseria». in «RC - Revista de Cultura», nº 15, Julho de 2005.
Horário: das 10:00 às 16:00 horas (acesso pela Rua da Imprensa Nacional)
O Centro Histórico de Macau
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Macau Património Mundial: Leal Senado
«Construído em 1784, este edifício albergou a primeira Câmara Municipal de Macau, função que ainda mantém. O nome "Leal Senado" deriva do título "Cidade do Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal" atribuído à cidade por D. João IV, em 1645. O Edifício do Leal Senado, de estilo neoclássico, conserva ainda as paredes-mestras e o traçado arquitectónico originais, incluindo o jardim situado no pátio traseiro.
No interior do edifício, no primeiro andar, além de um salão nobre que dá acesso a uma exuberante biblioteca em madeira ricamente decorada, ao estilo da biblioteca do Convento de Mafra (Portugal), existe ainda uma pequena capela». in «RC - Revista de Cultura», nº 15, Julho de 2005
Horário: Galeria - das 9:00 às 21:00 (encerra à segunda-feira); Jardim - das 9:00 às 21:00
O Centro Histórico de Macau
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Templo da Barra
O verde dos bambus mais altos é azul
ou então é o céu que pousa nos seus ramos.
Eugénio de Andrade. Pequeno Caderno do Oriente.
Macau Património Mundial: Templo de A-Má
Templo de A-Má. Macau, Janeiro de 2006«Anterior ao estabelecimento da cidade de Macau, o Templo de A-Má é composto pelo Pavilhão do Pórtico, o Arco Memorial, o Pavilhão de Orações, o Pavilhão da Benevolência, o Pavilhão de Guanyin e o Pavilhão Budista Zengjiao Chanlin. Estes vários pavilhões, dedicados à veneração de diferentes divindades, formam um complexo único, o que faz do Templo de A-Má um caso exemplar da cultura chinesa inspirada pelo Confucionismo, Tauismo, Budismo e por múltiplas crenças populares». in «RC - Revista de Cultura», nº 15, Julho 2005.
segunda-feira, 15 de maio de 2006
sexta-feira, 12 de maio de 2006
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Chunambeiro
San Má Lou
Rasgada em 1915, a Avenida de Almeida Ribeiro - nome do ministro das colónias, que na altura sancionou a verba para a expropriação das casas e para a abertura da avenida - começa na Praia Grande, onde esta avenida cruza com a do Infante D. Henrique, e termina no Porto Interior, em frente à Ponte-Cais nº 16, na Rua do Visconde de Paço de Arcos. Os chineses designam-na por San Má Lou, a «avenida nova», «estrada nova» ou «caminho novo para os cavalos».
Nesta avenida, que veio cortar a zona do bazar chinês, vieram instalar-se os mais luxuosos hotéis e os melhores estabelecimentos comerciais, sobretudo as joalharias.
terça-feira, 9 de maio de 2006
O dragão embriagado
Dia de festa, este 5 de Maio: foram as festividades do banho do Buda, foi a festa do dragão embriagado no templo de Sam Kai Vui Kun, ali junto ao Mercado de S. Domingos. E foram as festividades de Tam Kung, em Coloane.
A festa do Tchoi-Long, o dragão embriagado, que se realiza no oitavo dia do quarto mês lunar, está associada a uma lenda. Segundo essa lenda, Buda terá esquartejado o dragão enquanto este se banhava num rio; mais tarde, a cabeça e a cauda do dragão seriam encontradas por um pescador embriagado, que, por mais buscas que fizesse, nunca chegou a encontrar o resto do corpo do animal. Nesta festividade, que se deveria chamar do «pescador embriagado», e não do dragão, pois este nem uma pinga terá bebido, os pescadores, estes sim, embriagados, percorrem algumas ruas de Macau transportando apenas a cabeça e a cauda do dragão, numa animada dança em busca do corpo do dragão.
O templo de Kuan Tai, que se situa numa das ruas de acesso ao mercado de São Domingos (Rua Sul do Mercado de São Domingos), é um pequeno templo, construído em 1750 e restaurado por diversas ocasiões, também conhecido por Sam Kai Vui Kun, pois foi sede da associação Sam Kai – ou das três ruas: dos Mercadores, das Estalagens e dos Ervanários -, a associação mais antiga de Macau. No espaço que defronta o templo, normalmente ocupado por bancos e vedado para impedir o estacionamento de motorizadas, montou-se um palco onde, uma enorme azáfama se manteve ao longo do dia, sobretudo por parte das mulheres, em volta de enormes tabuleiros de comida. Duas enormes filas de pessoas aguardavam a distribuição da parte do repasto que lhes cabia. Uma espécie de bodo, como nas nossas festas do espírito santo, só que aqui não se come no local, cada qual leva a sua parte da refeição, em embalagens próprias.



























