sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

«Em seguida "deu vida" ao leão (...)»

Fotografia de José Neves Catela (cerca de 1930). Museu de Arte de Macau

«(...) Em seguida "deu vida" ao leão da Associação Fraternal, Desportiva e de Artes Marciais do Leão Acordado, com sede na Rua da Tercena, a qual lhes proporcionou uma "dança do leão", colorida e atlética, seguida da queima de uma fita de panchões; tudo mais barulhento e prolongado do que o recomendável. Mas os rapazes queriam valorizar as suas qualificações acrobáticas e não era todos os dias que tinham a honra e o inefável prazer de se exibir perante Suas Excelências; e havia, por outro lado, que desempenhar conscienciosamente a obrigação de exorcismar os espíritos malignos e invejosos que porventura pairassem no ambiente. Para tanto, após a dança, o leão entrou nas instalações, farejou os cantos e recantos, soprou os eventuais fantasmas que tivessem sobrevivido a todo aquele estrondear, deu-se por satisfeito, e retirou-se depois de ter embolsado o lai-si amarrado a um pé de alface nova (...)».
Rodrigo Leal de Carvalho. O Senhor Conde e as suas três mulheres. Livros do Oriente, 1999

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