sábado, 28 de novembro de 2009

No Pau Kong Miu

Pau Kong Miu
Pau Kong Miu. Macau, 2009

"Traços em todas as direcções. Em todos os sentidos vírgulas, colchetes, parênteses, dir-se-ia que acentos, em qualquer altura, a todos os níveis; desconcertantes moitas de acentos (...)
Henri Michaux, Ideogramas na China. Cotovia e Fundação Oriente, 1999

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Igreja de S. Domingos

Igreja de S. Domingos. Macau, Maio de 2009

Igreja de Santo António

Igreja de Santo António. Macau, Agosto de 2009

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Taipa, Junho de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A penteadeira

Fotografia de José Neves Catela, do Museu de Arte de Macau - "Memórias Reveladas"

«(...)
O cabelo negro, longo e corredio, foi penteado e preso por um comprido pente de madeira onde ficou enroladao.
Em seguida e com uma escova, a penteadeira estendeu no cabelo uma espécie de líquido pegajoso ou goma - Pau-Kan, que é um veneno forte, extraído da casca de certa árvore, posto de infusão em água fria.
Depois daquela operação, o pente foi substituído por um travessão de ferro e o cabelo, que estava cuidadosamente repuxado e muitoliso, ficou amarrado por baixo com um fio vermelho.
(...)
Duas fitas atadas por debaixo do queixo e passando uma por cima da cabeça, a outra pela nuca, conservavam o penteado na posição devida e o resto da trança, solta, ia sendo cuidadosamente engomada e presa em voltas sucessivas sobre um grande gancho e depois em torno de quatro agulhas que, mudando de posição sobre o caracol, permitiam que este fosse avolumando compacto e apertado, sendo o cabelo continuamente penteado e engomado para este fim.
Assim se ia formando, metodicamente, o Tou-T'chi-Kai - que é o nome que tem este penteado especial, para festas.
A penteadeira ia torcendo a trança com perícia até que chegou ao fim, restando apenas esconder nas voltas do penteado as últimas pontas dos cabelos.
Tirou as agulhas que não eram já precisas e, com um pente e a escova gomosa, deu ao penteado a aparência de uma casca de coco, mas negra, perfeitamente lisa e lustrosa, como ébano polido.
(...)»
Jaime do Inso. O Caminho do Oriente. Instituto Cultural de Macau, 1996, 2ª edição.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Jardim das Proibições

No jardim da Cidade das Flores, na Taipa (Julho de 2009)

É um pequeno jardim em estilo chinês. Fica na Taipa e chama-se Jardim da Cidade das Flores, designação simpática para uma cidade de betão.
Mas, aquela profusão de tabuletas... transforma-o num verdadeiro jardim das proibições.

Tai Pou Lam: a largas passadas

A Rua de S. Domingos ou Tai Pou Lam (Fotografia de Junho de 2008)

Conhecida, entre os portugueses, por "Rua das Mariazinhas" - nome de uma loja que aí existiu, que vendia principalmente brinquedos - a Rua de S. Domingos, ou antes, o troço que vai do entroncamento da Rua da Palha até à Calçada das Verdades, designa-se, em chinês por Tai Pou Lam, o que significa "a largos passos". Gonzaga Gomes* explica que a rua fora outrora uma via de prédios baixos, bastante batida pelo sol, cujo pavimento escaldante obrigava «os chineses de pés descalços» a atravessá-la em passo de corrida. Daí a razão do nome "a largos passos".
Contudo, esta designação reporta-se apenas ao troço já referido. A Rua de S. Domingos designa-se, em chinês, «Pán Tchéong Tóng Kâi, isto é, a Rua do Templo das Tábuas; provindo esta denominação do facto da primitiva igreja ter sido construída em madeira. Esta igreja é, porém, também conhecida entre os chineses, pelo nome de Mui Kuâi Tóng, o Templo das Rosas».

A designação Tai Pou Lam merece ainda outra explicação, esta ligada à lenda. É também de Gonzaga Gomes, atribuindo-lhe a designação aos "Espectros de Tai Pou Lam"**. A rua «(...) vulgarmente designada pelo povo com o nome de Tái-Pou-Lám ou Tái-Pou-Láp, que significa "galgar a grandes pernadas", querendo com isto dizer que tal via deve ser transitada a largas passadas pois, na época que assim a alcunharam, dizia-se que o indivíduo que ousasse caminhar nela, durante a noite, era infalivelmente alvo duma chuva de grãos de areia e de pedra miúda lançada por mãos desconhecidas, decerto pelas almas penadas que estavam residindo numa das duas ou três casas que existiam naquele remoto local, então considerado como um dos pontos extremos da cidade».

* Luís Gonzaga Gomes. Macau, Factos e Lendas. ICM, 1994
** Luís Gonzaga Gomes. Lendas Chinesas de Macau. Notícias de Macau, 1951

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Flores Muito Agradáveis

Na Avenida Horta e Costa. Macau, 2009

Mosteiro de Pou Tai

Mosteiro de Pou Tai. Taipa, 2009

Situa-se no sopé oriental da montanha da Taipa Pequena (com acessos pela Estrada de Lou Lim Ieoc e Rua do Minho) e foi construído em 1925. É o Mosteiro de Pou Tai ou Pou Tai Un e compõe-se de diversos pavilhões situados a diferentes níveis. Aqui "confraternizam os deuses do panteão hindu de mistura com os do panteão tauista e budista chinês". O Sam Pou Tin ou o pavilhão dos Três Budas Preciosos, com Saquiamuni ao centro, Siu Choi Un Sau à direita e Amitabha ou O Mei To Fat, à esquerda; o pavilhão dos mortos, repleto de gavetas com as cinzas dos defuntos e as respectivas fotografias no exterior das gavetas; um pavilhão destinado à meditação, outro dedicado a Pak Tai e ainda um dedicado à deusa da Misericórdia, onde se venera Kun Iam dos 42 braços.

Fonte: P. Manuel Teixeira. Pagodes de Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1982

Cântico do Outono

O canto dos insectos
ainda se demora
nos degraus do outono

O leque perfumado
deixa de ser
a casa da brisa

Desfolham-se os olhos
numa melodia oculta

Manuel Yao

Jorge Arrimar e Manuel Yao. Confluências. Folha de Lótus. Macau,1997

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Casa Cultural de Chá de Macau

Edifício onde se encontra instalado o museu dedicado ao chá - a Casa Cultural do Chá. Inaugurado em 2005, fica situado no jardim de Lou Lim Ieoc.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Kun Iam

A Deusa Kun Iam
(Árvore do Pagode, na Calçada do Monte. Macau, 2009
)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Rua de Nossa Senhora do Amparo

Rua de Nossa Senhora do Amparo. Macau, Outubro de 2009

Começa na Rua da Tercena, próximo do Pátio das Calhandras e acaba na Rua dos Mercadores, onde entronca, juntamente com a Rua dos Ervanários. Com a designação de Amparo existem, ainda, uma Calçada e um Pátio. A Calçada do Amparo parte da Rua de S. Paulo e termina na de Nossa Senhora do Amparo. O Pátio situa-se junto à calçada.
Tal como a Rua da Tercena, a de Nossa Senhora do Amparo era marginal e só tinha casas do lado do Monte. Neste local existiu a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, que foi edificada em 1633.

Fonte: P. Manuel Teixeira. Toponímia de Macau, Volune 1, ICM, 1997

terça-feira, 27 de outubro de 2009

«É o pagode de Na T'cha Miu»

Templo de Na Tcha na Calçada das Verdades. Macau, 2009

«Naquele isolamento de bairro popular e onde enxameiam garotos seminus numa liberdade feliz pelas calçadas, íngremes do Monte, naquele recanto escondido e talvez desconhecido de tantos europeus que passaram por Macau, fica um dos mais interessantes pagodes desta cidade, não pela riqueza, que a não possui, mas pelo aspecto, pelo típico cenário em volta e, sem dúvida, pela história e tradição que desconheço, mas que há-de ter.
É o pagode de Na T'cha Miu.
(...)
Chega uma mulher, uma chinesa de calças e cabaia de seda negra - como os chineses costumam usar na época do calor - e espeta dois pequenos pivetes acesos em frente do tosco altaraberto numa parede e ao nível da rua superior.
Para baixo desciam uns degraus de longos blocos de granito que formavam o piso do pequeno santuário.
Rodolfo quedou-se examinando aquele ambiente extraordinário de um templo em plena rua e foi seguindo atentamente as preces da chinesa.
Outro altar, formado por uma singela mesa de madeira com ornamentos vermelhos, estava junto do primeiro e em cima dele ardiam também pivetes, em honra de desconhecidas divindades.
Entre ambos, uma espécie de forno ou fornalha enegrecida pelo fumo servia de crematório aos múltiplos papéis que, com intenções várias, os chineses destinam a implorar favores aos espíritos do Além.
Duas tabuletas verticais, vermelhas e misteriosas, com franjas que oscilam ao vento, pendiam das colunas que sustentavam, cobrindo a estreita rua, o telhado do exótico tabernáculo.
(...)
Havia um cheiro doce e enjoativo no ambiente - do fumo dos pivetes queimados - e as lanternas suspensas do tecto, bem como as oferendas, tabuletas de madeira ou de seda que pendiam das paredes, vermelhas e cheias de caracteres negros ou dourados, tudo tinha o mesmo tom enegrecido pelos muitos pivetes e orações evoladas sobre a forma de papéis ardidos.»
Jaime do Inso. O Caminho do Oriente. Instituto Cultural de Macau, 1996, 2ª edição.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Reminiscências - Fotografias de Macau Antigo

Fotografia de Lei Iok Tin, 1945

"Reminiscências - Fotografias de Macau Antigo", patente no Museu de Arte de Macau, apresenta fotografias de Macau de 1920 a 1960, da autoria de José Neves Catela e de Lei Iok Tin, entre outros. Um retrato de Macau antigo e das suas gentes.

domingo, 4 de outubro de 2009

Pois da Lua muito se conta...

Lanternas no Largo do Senado. Macau, Setembro de 2009


«(...)
Pois da Lua muito se conta e sempre o homem imaginou ver nela formas, expressões, encantos e fantasias. E sempre pensou poder um dia lá entrar e descobrir todos os mistérios. Mas a Lua é tão misteriosa que mesmo depois de os astronautas lhe terem feito várias visitas, e imagens suas correrem mundo, a verdade é que continua a apaixonar, a dar inspiração, a conservar um encanto que sempre fará inveja ao Sol, que sendo quem nos dá a vida nunca encerrou os encantos lunares. A Lua é feminina, é bela, carinhosa e misteriosa, o Sol é masculino forte, quente, e não nos deixa olhá-lo de frente porque a sua luz cega. É sempre o deus criador da mitologia. Na cosmografia chinesa ele é Yang, e a Lua é Ying.
(...)»
Fernando Sales Lopes. Terra de Lebab. Colecção Macau e as suas Gentes. IPO / IPM

Festa do Bolo Lunar


Festa do Bolo Lunar

Há nestas lanterninhas mágicas
com que crianças passeiam na noite
a sua inocente pertença
a esta terra e às raízes

uma acolhedora intimidade de casinhas ambulantes
como se em torno de cada lanterninha
uma família se reunisse a celebrar
- e eu do lado de fora de cada janela entreaberta

Carlos Frota. Dos Rios e Suas Margens. Macau, 1998

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Kigelia

Kigelia aethiopica Decne, pertencente à família Bignoniaceae, no Jardim Cidade das Flores. Taipa, Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Macau Sã Assi

Na Rua da Palha, em Macau. Julho de 2009

Sopa de fitas ou wan tan min é uma sopa de massa em forma de fitas achatadas servidas num caldo e acompanhadas por wan-tans (pequena bolas de massa recheadas com carne ou camarão) e legumes (choi sum). Muito popular, a sopa de fitas é um prato disponível a qualquer hora do dia, existindo inúmeros pequenos restaurantes e cozinhas ambulantes especializados em wan tan min e denominados loja ou estabelecimento de sopa fitas.

O Mestre do Feijão

O «Mestre do Feijão de Macau», na Rua da Praia do Manduco. Macau, 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Dança do Dragão


A Dança do Dragão

Que bom ter os dentes ferozes
de um dragão particular
para esconjurar os maus espíritos
em todas as esquinas da vida

e os seus olhos enormes
e o seu corpo do tamanho
dos espaços siderais

meu dragão meu protector
meu boneco de papel colorido
minha imagem de mim
qual sonhador
de um passado de um futuro protegido

Carlos Frota. Dos Rios e Suas Margens. Macau, 1998

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Jardim da Flora

Jardim da Flora. Macau, Maio de 2009

Jardim da Flora: Árvores do Sabonete

Sapindus Mukorossi e Sapindus Saponaria no Jardim da Flora. Maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Igreja da Sé

Igreja da Sé. Macau, Maio de 2009


Na parede lateral da Sé (na Calçada de S. João) existe uma laje com a seguinte inscrição:
«Erecta
A. D. MDCCCXLIV
J.T. de Aquino del»
Contudo, a primitiva catedral de Macau era uma pequena ermida construída em taipa, provavelmente neste mesmo local, que terá sido substituída por outra em 1622. O actual edifício, que data de 1844, foi delineado pelo arquitecto macaense Tomaz d'Aquino e o relógio, colocado quando da subida ao trono de D. Pedro V, foi fabricado em Inglaterra e comprado com subscrições feitas em Macau, Hong Kong e Cantão.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Igreja da Sé

Largo e Igreja da Sé. Macau, Maio de 2009

«Não existem registos sobre a data da primitiva construção, embora haja referência à construção de um edifício em taipa em 1622, que seria restaurado em 1743. Durante o restauro de 1780 os serviços religiosos da Igreja da Sé foram temporariamente transferidos para a antiga capela da Santa Casa da Misericórdia. A fachada do edifício apresenta duas torres gémeas que marcam a imagem geral do Largo em que se situa. O seu exterior encontra-se revestido com reboco cinzento (conhecido por Shanghai plaster), conferindo à igreja uma aparência monolítica e austera. in «RC - Revista de Cultura», nº 15, Julho de 2005.

O Centro Histórico de Macau

Rede do Património Cultural de Macau: Igreja da Sé

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O motociclista e o seu cão

Macau, Maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Palácio do Soberano do Norte

Templo de Pak Tai, o Soberano do Norte. Taipa, Abril de 2009

Pak Tai, o soberano do Norte ou dos deuses do Norte, é o titular deste templo situado no Largo de Camões, na Taipa, que teve, em tempos ainda recentes, o Canal dos Estaleiros à sua frente. Compunha-se de três pavilhões. Hoje, apenas resta o pavilhão central com a entrada protegida pelos "deuses das portas", cujas imagens se encontram pintadas nas enormes portas de madeira.
No altar central, Pak Tai, o titular do templo. Segundo a lenda, «Pak T'ai era um príncipe que foi imortalizado pela sua ilustração e coragem, recebendo então o título de Imperador do Norte. Foi nomeado comandante das 12 legiões celestes com o fim de impedir que um Rei-Demónio devastasse a terra. Este suscitou contra ele uma tartaruga verde e uma serpente gigante, mas Pak T'ai venceu-as, conseguindo também vencer o Demónio-Rei. Devido a esta vitória, recebeu o título de Supremo Imperador do Céu Negro»(in Pagodes de Macau).
Tal como nos outros templos chineses, também aqui presta-se culto a várias divindades: a Kam Fá, a deusa das flores douradas, protectora das mulheres e das crianças, a Choi Pak, o deus da sorte, a Wá Kuong, o deus dos impossíveis, entre outras divindades.
No terceiro dia da terceira Lua comemora-se o aniversário de Pak Tai, divindade protectora de tudo e de todos e a quem se deve muitos feitos milagrosos: «aqui vela pelos habitantes da Taipa, como há milhares de anos velara pelos do norte» (in Pagodes de Macau), curando doentes, auxiliando no combate a incêndios ou expulsando piratas. Durante as festas do seu aniversário, no Largo do Camões, ergue-se uma enorme estrutura de bambú onde se realizam espectáculos de ópera.

Fontes:

Leonel de Barros. Templos, Lendas e Rituais - Macau
Padre Manuel Teixeira. Pagodes de Macau
José Simões Morais. «Olhar para o templo de Pak Tai». Tai Chung Pou de 9 de Abril de 2008

Rede do Património Cultural de Macau: Templo de Pak Tai

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Barragem de Hac-Sá

Ponte suspensa no Parque Natural da Barragem de Hac-Sá em Coloane.

Na Rua da Felicidade

Secagem de carne à porta de uma residência na Rua da Felicidade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Travessa do Armazém Velho



Travessa do Armazém Velho: liga a Rua da Tercena à Rua das Estalagens, mesmo em frente à Travessa do Pagode. Foi, em tempos, uma artéria de grande movimento, devido ao comércio de antiguidades e bric-a-brac, bem como às cozinhas e tasquinhas ambulantes. Conta Gonzaga Gomes, em Curiosidades de Macau Antiga, que era dificílima a sua travessia pelas inúmeras tendinhas de velharias e comidas que nela se situavam. E, apesar disso, era frequentada «pelos coleccionadores de raridades, que se aventuravam a entrar nela com o fim de pesquisarem entre a imundice daquelas sórdidas tendas e lobregas baiúcas, preciosidades dos reinados de Hóng-Hêi ou de K'in-Lông, quando não são ludibriados na aquisição de um reles bronze, que, o vendedor ignaro, mas convincente, explorando a vaidosa presunção e a viciosa obsessão do comprador, impingir como raro e genuíno Tchâu, dinastia duas vezes milenária do período semi-histórico do império chinês»*.

Lán-Kuâi-Lâu é o seu nome em chinês, que «soa estranho e sugestivo». Lán significa quebrada ou arruinada; kuâi diabo e lâu andar ou casa. Lán-Kuâi-Lâu poderia, então, significar «rua da casa arruinada e endemoninhada». Mas não. Segundo Gonzaga Gomes, é outra a origem do nome e relaciona-se com a vinda da América de um emigrante chinês, que aí se instala e constrói a sua habitação, ao gosto ocidental. Esclarece o autor de Curiosidades de Macau Antiga que, noutros tempos, as casas eram «construídas de forma a que, vistas de lado, se pareciam com a letra kâm», que significa ouro.

Ora, a casa do emigrante, foi a primeira em estilo ocidental, com dois andares e varandas. «Como os chineses costumam referir-se aos estrangeiros com o depreciativo epíteto de kuâi, que significa "diabo", e como aquela casa era a única em estilo europeu que aparecia naquele sítio, passaram os mesmos a designá-la com o nome de kuâi-lâu que intrinsecamente significaria "casa do diabo", mas que, na realidade, significa simplesmente "casa estrangeira", ou melhor, "casa em estilo estrangeiro"»*.

Mais tarde, já a casa se encontrava alugada a outro emigrante, «homem de poucos escrúpulos», que fazia fortuna à custa do negócio da emigração e que maltratava os emigrantes a ponto de os designarem por "porquinhos" - tchu-tchai, a casa passou a ser conhecida por tchu-tchâi-kún, isto é, o depósito dos porquinhos.

O incêndio de 26 de Janeiro de 1835 no Colégio de São Paulo, que em duas horas destruiu o Colégio e a Igreja, propagou-se e a casa de Kuâi-Lâu ficou reduzida a escombros. A casa, que por muito tempo permaneceu em ruínas, recebeu, então, o nome de Lán-Kuâi-Lâu, ou seja, "ruínas da casa em estilo estrangeiro".


*Luís Gonzaga Comes, «Curiosidades de Macau Antiga: Lán-Kuâi-Lâu», in Renascimento, Junho de 1945

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pagode do Bazar

Largo do Pagode do Bazar. Macau, Abril de 2009

PAGODE DO BAZAR

Naquele largo
de lajedo secular
o Mundo ficou parado
indiferente a tudo
que por ali vegeta

Será que te vejo
como te viu Chinnery
que não sei se te pintou?

e Pessanha?
que te viu certamente
na beleza perturbante
dos fumos

Fernando Sales Lopes. Pescador de Margem. Livros do Oriente, 1997

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Macau Antigo


Uma viagem por Macau Antigo num blog de histórias que fizeram a História de Macau.

Casuarina

Colónia Balnear de Hac-Sá. Coloane, Abril de 2009

Originária da Austrália e espalhada pelo Sudeste Asiático e ilhas do Oceano Pacífico, a casuarina - casuarina equisetifolia L. - é uma espécie de rápido crescimento, resistente à salinidade e ao vento. Em Macau, encontram-se exemplares de casuarinas nas ilhas da Taipa e Coloane, nomeadamente junto à praia de Hac Sá. Utilizada na reflorestação das ilhas - nos anos de 1960 - numa paisagem que era, então, «salpicada por acácias (Acacia confusa Merr.), originária da Formosa e das Filipinas, bem como de pequenas manchas de canforeiras (Cinnamomum camphora Sieb.), espécie nativa da Ásia Oriental, vingando, nos locais de maior cota, com solos delgados e submetidos a ventos fortes, as casuarinas (Casuarina equisetifolia L. ex Forst.), que sobressaem do perfil do coberto verde das montanhas, graças ao modo como se agitam as suas copas quando batidas pelo vento» (in A. Estácio e A. Paula Saraiva, Jardins e Parques de Macau).

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Na Travessa da Porta

Banca de venda de artigos cultuais na Travessa da Porta. Macau, Abril de 2009

Calçada do Monte

Calçada do Monte. Macau, Abril de 2009

A Calçada do Monte começa mesmo ao lado do edifício do Consulado de Portugal, na Rua de Pedro Nolasco da Silva, e termina junto à Fortaleza do Monte, na Rua dos Artilheiros, assim designada por ter estado, durante muitos anos, instalada na fortaleza do Monte uma companhia de artilharia.
Com o mesmo topónimo existem, ainda, o Pátio e a Rua do Monte.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Primavera

Bauínia. Jardim de Luís de Camões. Macau (Março de 2009)

Primavera

No campo
o suave torpor
o terno abandono
da flor
no verde macio
das sépalas.

Jorge Arrimar. Secretos Sinais.ICM. Colecção Poetas de Macau.

A sesta do motociclista

No Pátio dos Velhos, em Macau (Janeiro de 2008)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mercados

Na zona dos Três Candeeiros (rotunda Carlos da Maia). Macau, Março de 2009

É um dos mercados mais populares de Macau, que se encontra instalado na zona dos Três Candeeiros, mais precisamente na faixa que parte da rotunda Carlos da Maia, nas ruas Fernão Mendes Pinto, Tomé Pires, da Emenda ou do Rebanho, em tendinhas ou pequenas lojas.
Aqui se vende roupas e calçado, malas, toalhas e edredões. Artigos de culto, flores e plantas envasadas.
E, sobretudo, géneros alimentícios: peixe salgado, mariscos secos de todas as espécies, pato e porco assado, galinhas e ovos, fruta e hortaliças.
Algumas cozinhas ambulantes e pequenos restaurantes.
Um mundo que fervilha. De gentes que se abastecem e enchem as ruas estreitas, de motociclos e de bicicletas que circulam por entre as pessoas, de carrinhas que descarregam mercadorias.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Muralha da Fortaleza de São Francisco

Muralha da Fortaleza de São Francisco. Macau, Março de 2009

O topónimo de São Francisco - que na toponímia chinesa toma a designação de Ká Si Lán Má Lou e Ká Si Lan Fá Yun (respectivamente, Estrada e Jardim dos Castelhanos) - deve-se ao antigo convento fundado, em 1580, por franciscanos castelhanos. Demolido em 1864, foi nesse local construída a Fortaleza de São Francisco.

Rede do Património Cultural de Macau: Muralha da Fortaleza de S. Francisco

O Triciclo

No Largo de S. Domingos. Macau, Março de 2009

O Triciclo

O triciclo corta a chuva devagar
deixando atrás a espuma breve do esforço.
Vestido de plástico amarelo o condutor
inclina a cabeça coberta por um chapéu de palha,
cai-lhe a água sobre as mãos
fincadas no gasto guiador.
O seu mundo é o das ruas
e das praças, o suor
a escorrer nos músculos das pernas.

Come pouco, fuma em silêncio
enquanto está sentado, à espera
de turistas, e de velhas chinesas
que vêm do mercado.

António Augusto Menano. «O triciclo», in Antologia de Poetas de Macau.